O horóscopo avisava: “este é um dia em que sua sensibilidade aflora e faz com que você sinta tudo com mais intensidade, por isso procure manter uma postura positiva. É tempo de estar consciente do seu humor”.

Mas o que de fato aflorou foi o desespero. Estou há dois dias vagando como alma penada por lojas de vestidos de gala, de aluguel de roupas de festas e nada, absolutamente nada, ficou do tipo: ó, este vestido é simplesmente fantástico!

Alguns caíram como uma pedra, isso sim, num enrosco de mil forros, perdida na profusão de quilos de rendas e atolada em pedrarias. Fiquei entalada pelos braços, beliscada por zíperes e suando como uma picanha na brasa. As vendedoras, super solícitas e risonhas, me atiraram em cima uma dezena de opções, segundo elas, ideais para mim. O primeiro vestido me transportou para dentro do casamento da novela Caminho das Índias- hare baba! num modelo justo cheio de filó entremeado de ricos bordados de cima a baixo, num tom azul esverdeado, o autêntico mar do caribe plasmado no corpo da tiazona indiana. Olhei-me. Não era eu. Era a sogra do Raj.

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Claúdia Lisboa tentou me prevenir que hoje eu sentiria tudo com maior intensidade. Já no modo Desencanto, sugeri customizações. Quando vi que não faria a alegria de nenhuma das atendentes passei a entretê-las com um repertório fofo e engraçado. Seduzi uma a uma antes de dar o veredito negativo para a compra dos rocambolescos trajes das mil e uma noites. Eu precisaria escolher-cheguei à conclusão- entre parecer uma senhorinha casta ou uma piranha de alto escalão. Irmã cajazeira ou quenga do Bataclan.  

Juro que o tempo todo procurei manter a calma, o bom humor e encarei tudo com energia positiva. Para acalmar os nervos procurava dizer para mim mesma que ainda tinha um mês e pico para um dos casamentos e dois para o outro.

Não quero desesperar minha futura cunhada, mas não estou gostando nadica desta experiência de ser madrinha de casamento. Amo o preto, os tons escuros e eles não poderão me salvar nesta empreitada por causa das normas da “boa fada-madrinha que se preze”. Quem sabe até o início do próximo mês eu já tenha emagrecido uns quatro quilos e não dependa do horóscopo para me ensinar a ter postura positiva. Quiçá, a varinha de condão me ponha na frente daquele modelito elegante e sóbrio que me deixe ser eu mesma e não uma traveca mega produzida fim de carreira. E eu comece a amar esta experiência que, inshallah, terá um happy end

Partiu costureira!

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