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Tá, foi cheia de vaidade (e desconforto) que cometi esta postagem.

Maquiando os olhos domingo de manhã fui traída por eles e egocentricamente abduzida por uma iluminação espontânea: “Minha família é de uma estirpe de mulheres de olhos brilhantes”. Da parte de mãe.

Há neles um viço, pode ser um transbordamento de energia vital, um magnetismo, sei lá, um borogodó qualquer ancestral capaz de seduzir pessoas desavisadas; de atraí-las e aprisioná-las temporariamente nas malhas da retina deste mulherio. De modo que há pouca chance da conversa não passar primeiramente pela vivacidade dos olhos das mulheres da família Fernandes, antes de prosseguir.

Pensei nos mares desbravados pelos navegadores lusitanos, na fagulha curiosa em busca de novidade de terras e nas mulheres fortes que eles amaram. E acreditei, de repente, nesta carga genética ¨trespassada¨ de mãe para filha através dos tempos. E na beleza que é ter este traço, esta força, esta sina.

Pauso esta escrita para voltar ao rímel que espera impaciente por minha mão. Feliz por esta descoberta tardia. E por redescobrir como é salutar embarcar, vez por outra, na nau desgovernada da imaginação. E -aleluia- ver pela primeira vez… nossos olhos de além-mar.

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Por que o ser humano tem dificuldade em  reconhecer seus pontos de força? Quanta ingratidão e falta de humildade! Afinal, ser humilde, me disse Frei Lino em Rio Grande, é ser verdadeiro.

Agradeço às amigas que tentaram me dizer tudo isto, de alguma maneira, ao longo dos anos. Nossa cegueira pode, com sorte, ter prazo de validade. E um dia a gente vê. E acaba sendo grato por isto. À Christina Lahmeyer, meu obrigada em especial!

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