IMG-20150907-WA0003Segunda-feira.Dirigia rumo à academia, em velocidade considerável porque estava em cima da hora da aula de MMA, minha nova moda e “paixão”. Entre aspas porque meu corpo, que está com dificuldade de reagir às muitas técnicas de emagrecimento aplicadas no último ano, tem dado sinais de vida desde que comecei esta nova modalidade esportiva. O corpo, planeta inabitado e infértil às múltiplas investidas e aos experimentos nutricionais e funcionais, parece ter acordado com um belo soco na barriga. A gente pena, morre e sai se sentindo renascida de cada aula, trôpega, mas insuflada de serotonina. Táticas de guerra, my friend! O famoso “se não vai por bem…”

Como estava dizendo, seguia lépida e fagueira à aula de MMA, pensando com antecipada alegria que estava indo queimar o montão de costela gaúcha do churrasco do fim de domingo, o pão de alho, o vinho, a linguicinha, o pudim, o chocolate pascal, todos os males autoinfligidos à minha pessoa no banquete da véspera, QUANDO um golpe de dor me estrangulou o peito, subindo à garganta que se fechou em nó. Uma dor de saudade veio com a velocidade dos céus cortados por um raio, um choque de doída voltagem no meu corpo tão distraído. Uma inclemente vontade de abraçar meu filho Leonardo me pegou assim de surpresa, como uma cutucada saída de outra dimensão a importunar minha fortaleza.

Rezei uma Ave Maria, um Pai Nosso, outra Ave Maria, ofereci minhas preces à alma de meu filho, se é que ele precisa de mim, vai saber. E segui dirigindo com o nó e a oração.

Cheguei antes dos outros, sentei-me no banco perto do tatame. Os outros alunos começaram a chegar enquanto disfarçava meu engasgo dobrando o corpo para frente no intuito de tirar as meias dos pés. Nem precisava. Disfarçar, eu digo. Eu aparentemente não estava ali. Meus olhos avermelhados pelo choro não falaram nada, porque os outros não me viram.

Minhas costas curvadas não revelaram nada, porque os outros não me notaram.

Minhas mãos crispadas no meu colo em forma de oração, sequer encontraram desconfiança, sinal de reconhecimento de que poderia haver ali algo fora da ordem.

Eu não existia para eles que estavam ali ao meu lado. O telefonema do outro parecia muito interessante. A mensagem passada com total compenetração através do whatsapp parecia urgente.  Nenhum bom dia. E eu continuei com o nó.

As lágrimas caíram copiosamente durante a aula, enquanto esmurrava e chutava o saco de pancada. Solucei sem vergonha, enquanto eles gemiam alto de esforço e cansaço. Assim mesmo, éramos somente meu engasgo e eu. E o saco de pancada que a tudo assistia.

Saí aliviada. Só o professor reparou, sensível que é. Trocamos poucas palavras. Eu  agradeci pela aula-exorcismo e saí de volta à outra arena chamada “vida que segue apesar de nós e dos nossos poréns”. Impactada com a descoberta da minha invisibilidade e grata por ter sentido esta puxada de blusa do meu filho ou de quem está do lado dele.

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