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Martha Medeiros  começou e eu tomei gosto pela ideia. Enquanto aparava galhos e varria folhas no quintal me pus a pensar nos meus desejos para todas as pessoas. Afinal, fim de ano é sempre fim de uma rodada. Às vésperas de uma nova partida mesmo sem planejar nos pegamos planejando, ao menos, esboçando “planos-fetos”-mesmo em nível quase inconsciente- lançando tênues ondas de esperança, para que nadem peito, abrindo águas de frente rumo ao ano que virá.

Assim: Que uma nova ideia tome corpo ( e a alma toda se envolva), que a gente dê um novo olhar, uma nova chance a alguém, que a salada tenha o peso emocional de uma lasanha, que a coluna dê trégua, que a tatuagem não desbote, que a gratidão não saia apenas da nossa boca ou do plano virtual, que o livro que precisamos ler nos caia nas vistas, que só o bêbado potencialmente assassino seja parado na lei seca, que executemos ao menos uma receita inesquecível, que acordemos para fazer nada, um dia de ócio sem culpa, que recebamos uma carta, um bilhete salvador, que a cirurgia não seja necessária, que um abraço cure, que uma dor diminua com nossos joelhos dobrados no chão, que o sapato dos sonhos encontre nosso pé, lindo e mega confortável, que encontremos uma alma gêmea canina ou felina para adotar, que realizemos um dia de desvario numa pista de dança, que enlouqueçamos numa criancice absurda de boa, que um desejo bem íntimo encontre ressonância no universo, que não matemos outro rio, que a tira de borracha da sandália não arrebente no meio da rua, que o espelho reflita uma pessoa de bem consigo mesma e com seu peso ( o que é a mesma coisa ), que surja alguém capaz de nos fazer rever algum conceito, que a comida com cheiro e gosto de infância não tope com a culpa no caminho de ser devorada, que o carro não raspe a coluna, que não encontremos o menino do sinal, que permitamos uma teia de aranha no canto da casa e a lagartixa que mora atrás do quadro, que a compulsão por doces sossegue, que a rede social não roube mais que dez minutos do nosso dia, que a chance de ajudar alguém seja percebida e levada a cabo, que um sorvete aplaque nosso cotidiano monótono, que uma oração nos acalme, que a fé nos mantenha altivos e confiantes no day after

Que o menino Jesus sobreviva ao rio de lama…e nos lave a alma. 

 

 

 

 

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