Estava com muita preguiça. Com muito calor. E sem conteúdo que -de fato- valesse a pena publicar. Vá lá. Eu gosto de escrever. É só sentar que vem qualquer coisa. E o mundo está cheio de quaisquer coisas. Pelo menos não enegreço os olhos nem a alma dos meus esparsos leitores com notícia ruim. Tenho algum mérito, portanto, como entretenedora.

Já não é de hoje que sou preterida à pesca pantaneira. O marido acenou com o convite dos amigos pescadores e com a necessidade de pôr mãos à rédea do stress. No carnaval. Acenei de volta, lenço branco esvoaçante na mão.

Se há alguém com quem eu gosto de conviver, de fazer coisas junto, este alguém sou eu. Tenho uma grande capacidade de programar atividades e inatividades para mim mesma, de preencher o dia, nem que seja de encher linguiça e ir provando.

Duas semanas de preparativos e muitas iscas arranjadas depois, partiu Kadado, ainda na quarta-feira, para encontrar-se com a trupe, numa longa e elaborada viagem até o rio….como é mesmo?

 Alexandre e Annelise foram para Búzios na sexta e eu fiquei com os bichos. Ming Yu, Nelsinho e o neto Romeu, gatinho medonho, hiperativo, filho do Alexandre, presente da amada Anne. Como bom neto, sobrou para a avó na hora da viagem romântica dos pais.

Exercitei a preguiça, acordando mais tarde. Liguei a televisão. Bah, pra quê! Por mais bobo que possa parecer, se a gente ficar num canal mais de cinco minutos, tudo começa a parecer interessante. Assim, os Cem Objetos que Mudaram o Mundo acabaram me ensinando que a máscara tribal africana é o item mais pedido do Ebay; que o cartão de crédito surgiu porque seu idealizador esqueceu a carteira em casa e não tinha como pagar o restaurante;  que o design da garrafa de coca-cola foi inspirada numa semente de cacau, que não tem nada a ver, mas que é esteticamente bonita. Tantos outros itens: a bala que matou o presidente Lincoln, o barril de carvalho, a estrela amarela dos judeus, o crucifixo, os manuscritos do mar Morto, enfim, fui enriquecida por informações preciosas. Como pudia eu estar passando pela vida sem tomar conhecimento delas? Alguma coisa foi deletada neste ínterim, obviamente. Não dá pra reter tudo que se descobre. Tomara tenha sido algo de menos valia, senão vou ficar muito P da cara.

Zapeei até parar no canal em que passava, pela enésima vez, O Exorcismo de Emily Rose. Verídico! Nunca havia pego do início, por isto sucumbi. Perto da hora em que o demo ia começar a pegar mais pesado com a moça, exibindo-se todo para o padre exorcista e a família dela, comecei a busca por outro programa, mais leve.

O colorido tétrico do desenho e a temática interessante, me prenderam a atenção até quase o final da funesta A Pequena Loja de Suicídios, animação francesa onde o filho ovelha-negra havia nascido feliz e não abandonava o sorriso da cara por mais que a família o pressionasse; originalíssimo. A macambúzia película, no entanto, começou a deprimir-me, apesar da inteligência e criatividade do seu enredo. Antes de ficar tentada a pegar uma corda para dependurar-me no lustre, desliguei e resolvi ir para a cozinha preparar o almoço.

Não tinha nada pronto. Fiz um guisadinho com a carne moída, cozinhei um ovo para picar e fiz uma salada de alface, tomate, azeitonas, cenoura cozida em palitos, palmitos, salpicada de grãos de sojinha. Comi que me lambi. Ming Yu aprovou a carninha com a ração.

À tarde resolvi assistir à Dois Dias, Uma Noite, pois gosto sempre de conferir o trabalho da Marion Cotillard, ainda mais numa indicação ao Oscar. Dei umas piscadinhas neste pós-almoço, apesar da pipoca doce a distrair minhas mãos e colo.

Voltei ao lar, passeei com Ming Yu, dei comida pela décima vez aos gatos e sentei na varanda para reler trechos do “Mr. Gwyn”. Grifei, emocionei-me de novo com o livro do clubinho de terça, enquanto cruzava a leitura e o “Café com Lucien Freud”.

Suor escorrendo, atirei-me na piscina.

Se tivesse que sambar à noite, talvez estivesse exausta.

 Sambar pra esquecer.

 E eu lá quero esquecer alguma coisa?

Zapear, apreender, deletar, ziriguidum, oba, oba!

 

 

Sábado, domingo, segunda de carnaval, fiz coisas novas. Vou poupá-los.

Na terça descansei.

Na quarta de cinzas chegou o marido e a normalidade.

Felicidade.

Eu não pulei.Já ela…

Ming muçulmana1-009Ou Ming no carnaval veneziano?

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