Adeus Alegrete, lá vamos nós para mais uma paragem já a caminho do Rio de Janeiro, mas como disse antes e repito, despacito, sem nenhuma pressa, nem vontade de voltar. Passamos por Venâncio Aires ( rota do chimarrão ), terra do querido Padre Décio, que nos casou, batizou nosso primogênito Leo, realizou a cerimônia das nossas bodas de prata e a das bodas de ouro de meus pais.

( este post é minha homenagem simples a este homem vocacionado. Soube neste momento que ele partiu agora de manhã para os braços de Deus, após uma linda missão na terra ).

Com olhos curiosos devorei a paisagem da estrada rumo às, assim chamadas, Termas da Longevidade, formada por Veranópolis, Protásio Alves, Nova Prata, Vila Flores e Cotiporã. Região Uva e Vinho da serra gaúcha.

Na chegada de Cotiporã, a beleza de corredeiras sob a ponte nos fez avivar a noção de que meu marido tinha cavado, quer dizer, escolhido um lugar desconhecido, mas bonito e que parecia mesmo valer a pena conhecer. Muita estrada de chão, por onde viemos e muita vontade de chegar logo.

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A Pousada Piccolo Refuggio era deliciosamente bonita, limpa, construída  com sistema ecoeficiente, sustentável, muito agradável  e com uma vista esplêndida para o vale.

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( na entrada de nosso chalé )

Na cidade, acabamos desconfiando que deveria ser a única, pois em todo lugar que entrávamos diziam: estão na Piccolo Refuggio? Como adivinhariam se tivesse outra pousada no lugar? Não havia muito o que fazer. Fomos ao mercado, à igreja, ao posto de gasolina. Descobri que existe cidade sem cinema ainda e não era nenhum cafundó, vejam bem.

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Mas acordar e poder selecionar e colher uvas ainda com a cara inchada,em frente ao próprio chalé, em quantos lugares a gente pode fazer isto?

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Mais tarde, rumo à Veranópolis, muito perto dali, visitamos uma cave de vinhos modestos, porém honestos ( está na moda esta palavra para designar a qualidade de um vinho) e sucumbimos à compra de uma caixa de sucos de uva, at least. Almoçamos no restaurante giratório Mirante da Serra, com oitenta metros de altura, cuja volta de 360 graus é realizada em duas horas e descortina uma linda vista, diz o folder ( já vi melhores ). Comida boa, começando com minha amada sopa de capelletti e seguida por um rodízio de massas, mais polentas, salada de radicchio, galetinhos, costelinhas de “porco-suíno”, como brinca meu pai, enfim, uma farra que acabou com um doce típico de maçã com vinho. Afinal, a maçã é a rainha da região e associada à longevidade. Pois eu acho que eu seria longeva lá só para poder comer  por muitos anos a tal sopa de cappelletti. Com o queijo ralado deles, que é tudo.

Ainda em Veranópolis, visitamos o Balneário do Retiro, composto por piscinas naturais que resultam da represa das águas do rio; o belvedere do Espigão, o Artesanato Fontana, onde adquirimos várias peças em madeira, o Parque dos Três Monges, onde o contato com a água da cachoeira com a rocha possibilitou a formação de figuras que lembram 3 monges. Descobrimos a existência de sete  vinículas e muitas coisas mais que ficaram para uma próxima ida à terra que é berço nacional da maçã.

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Balneário do Retiro-Um balneário diferente, com ovelhas pastando na casa em frente, um bucólico caminho de chegada e  locais tomando banho com a roupa do corpo..

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DSCF0455Belvedere do Espigão com a barragem ao fundo.

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Mirante da Torre-Veranópolis

À noite-grande descoberta e nossa salvação!- descobrimos o Bar Alternativo, em Cotiporã ( ãh? ah, este nome abençoado )com lanches fabulosos. Os baurus abertos, os Xburguers, todos deliciosos, sem falar na maledeta batata frita coberta de queijo e pedacinhos de bacon.

O mais bacana, no entanto, foi poder ver os casais, a juventude local a se reunir neste bar, que ficava na frente à igreja, cujas mesas e cadeiras avançavam pela pracinha adentro enquanto nos divertíamos com os sotaques locais dos jovens, que soava muito, mas muito engraçado mesmo. Era mais ou menos assim:

Havíamos descoberto, neste ínterim, que o antigo nome da cidade era Monte Vêneto, muito mais sonoro e aprazível e que trocara para Cotiporã. Bah! que troca sem nexo, pensamos nós. A explicação: o pequeno núcleo de imigrantes que chegou em 1885 eram italianos descendentes de Monte Vêneto. Mas este nome tivera que ser trocado na Segunda Guerra Mundial quando os imigrantes foram perseguidos e tiveram que esconder suas raízes. O nome feio Cotiporã, escolhido,sabe-se lá, por algum vereador cafona, pelo menos tem uma boa significação: Coti-lugar e Porã-bonito. Tá bem explicado e aplicado, mas continua a poluir meus ouvidos.

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Assim, depois de tantos programas gastronômicos, descobri que não poderia jamais morar num lugar calmo destes, sem prejuízo do corpo, que seria rapidamente transformado em corpanzil de mulher-elefante, valha-me Deus!

Ps: parece que há trilhas bacanas que são a academia do povo de lá. Ah, tá explicado!

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Aparte a gozação, o charme da simplicidade me comoveu e fez-me questionar os meus valores. Precisamos de bem menos estímulos do que temos hoje em dia. Precisamos de gente com menos pressa, que tenha tempo pra olhar no nosso olho, de um bar na esquina perto de casa pra botar a conversa em dia, de menos opção de loja, de moda, de restaurante, embora, confesso, eu vá usufruindo lindamente deles todos até minha derradeira retirada para  a vida monástica de interior.

Ps2: sem cinema vai ser brabo!

 

 Mas haverá sempre uma tarântula para ser salva  no meio da estrada. Que bom!

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