“E continuo a viagem , no meio desta paisagem, onde tudo me fascina…” Ah, Roberto Carlos, meu queixo sempre cai quando chego em casa. Em Rio Grande. Digo em casa porque quando se chega  no lugar onde vivem nossas matrizes, a gente volta a ser menino outra vez e a vida parece, enfim, estar do jeito que deveria ser. Escutei uma frase interessante na viagem e que não me deixa: “ a gente só começa a envelhecer quando perde os pais”. Chego jovem; aquela guria meio mimada e comilona quer se jogar no colo dos pais e ficar. Como ele é bom! Uma nuvem doce.A gente precisa endurecer e vestir o papel de adulto ao longo da vida. Mas é só chegar em casa que a roupinha, que é de papel, abre as tiras e voa pra longe na primeira brisa.

Minha mãe, por conta de um problema sério no joelho, encontrei-a  voando no seu andador derrapando pelas curvas da casa de praia. Meu pai brincava dizendo :“ a velha agora deu pra dar cavalinho de pau na sua lambreta”. Meu filho, ao perceber que não haviam conseguido armar a árvore velha de natal da família- para imenso pesar e desencanto da minha mãe-ofereceu-se, junto à namorada: “vó, vamos montar a árvore?”, E lá foram buscar as caixas e rapidinho surgiu um cenário completo, com a árvore, presépio, enfeites nas paredes, portas e lareira. Agora sim, seria um natal de verdade!, dizia o sorriso dos avós agradecidos.

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Natal e ano novo à velha moda da casa, com a festa enrodilhando os corações e as barrigas. Abraços e votos estendidos aos sogros, cunhados, sobrinhos e amigos antigos e queridos, por onde nossa caravana natalina passava, encompridando a alegria da noite que não se queria que acabasse, como uma noite de seresta, de janela em janela, à moda do Cassino antigo.

Alexandre voltou com Annelise para o reveillon no Rio e Eduardo, meu irmão, partiu para Nova York no dia primeiro.

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Voltei pesada de ambrosias, sorvetes com baba de moça, doces de abóbora com côco, baurús  de chorizo do Fabiano,”negrinhos”, branquinhos , quindins, ninhos e olhos- de- sogra do Janjão e bem-casados e queijadinhas dos doces de Pelotas. Sem falar nos doces de natal. A tradicional torta de nozes sem trigo da minha sogra despertou mais alegria nos nossos estômagos e reinou no meio das sobremesas. Sem a torta Martha Rocha desta vez (sofri!), acabei  fazendo uma torta de Côco com Baba de Moça e Creme de Ameixas, que ficou divina. Kadado caprichou no Bacalhau, eu numa Torta de Camarões à Martha Rocha ( ela de novo! ) e a mãe fez seu famoso e esperado Sarrabulho, um prato feito com vísceras, como gosta de dizer, passando longe, Eduardo. Maravilhoso!

Eu, acho que sou a maior fã da minha torta de côco, devo ter comido metade. Mesmo com o rosto já arredondando segui na farra da vaca gorda, teimando em  postergar as agruras do corte de carboidratos na malfadada volta para o Rio dos corpos nus. Odeio janeiro no Rio de janeiro! Fevereiro, março…o verão inteiro. E os corpos dourados e sarados que zombam de mim sem dizer palavra. Mas eles nunca provaram estas delícias! Pronto! Ou, quem sabe, provaram. Comer é para os corajosos.

Ming Yu também ganhou presente. Desfilou, sem nenhuma feminilidade,  a manta ( conjunto de três peças ) de algodão que trouxemos de Paraty para ela.


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Quero tudo de novo ano que vem! As pessoas, as risadas, os engasgos, as cumplicidades, o amor que une a família. 

Dai-nos saúde, Deus, para podermos começar tudo outra vez este ano.

 

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