10682158_903522376339337_165410839514312412_o

FÉRIAS, PRA QUE TE QUERO?

Para relaxar o corpo, a mente e a alma dos turbilhões a que são expostos diariamente.

Já pararam para pensar como é preciso ser forte para sobreviver?…Ser forte para tudo o que se tem que fazer para manter-se vivo e bem?  Acordar, ir para a lida, pensar, resolver, pensar de novo, calcular, recalcular pagar conta, estudar, pôr a mão na massa e sovar, sovar, torcendo para que saia bem feito o pão de cada dia.

 A parte boa?É quando a gente pode afastar-se de tudo e consegue, então, perceber que não se precisa desta sobrevida e sim, de vida. Urgentemente.

Viver é um luxo. Ter tempo, uma dádiva. Desconectar, desprogramar,”autistar”…privilégios roubados de nós mesmos, coisa escolhida por gente sábia.

 Assim, escolhidos os destinos, itinerantes, rumamos ao sul, trotando sem pressa, apeando do cavalo para cevar um chimarrão, para um dedo de prosa, uma “siesta” no pasto, um palito entredentes e vento nas fuças.

Paraty, primeira parada.

10362797_903521096339465_142827363541593431_o

Rony e Nando, já amigos destes tropeiros, nos acolheram com calor e genuína saudade. Ming Yu, nossa mascote-filha, esbaldou-se em afagos, passeios, idas à praias quase desertas, recantos com trilhas e cheiro de Brasil-colônia, um Brasil parecendo estar saindo das fraldas, querendo engatinhar, mas já tendo que contornar  algum resquício selvagem de civilização…saco plástico, garrafa vazia. Me perdi a imaginar como teria sido estacionar ali a nau pela primeira vez. Dois dias de prazer e divagação.  Café da manhã de despedida, com pássaros disputando as frutas do seu próprio desjejum, lambidas carinhosas do cães da pousada desejando boa viagem e breve retorno ( não temos dúvida e até uma diária em  haver para isto).

Curitiba com suas araucárias cheirosas, majestosas, de braços abertos nos recebeu para uma noitada de sono com cheiro bom de conforto e comida farta.

10407128_900743126617262_4346857000475056822_n

Aparados da Serra, nossa próxima parada. Assentamos acampamento no chalé com vista envidraçada para os cânions e todo o resto de natureza e o que ela traz de lindo. O céu, os bichos, o canto da mata, o sapo-boi a martelar sua música, bateria bem compassada, o cheiro de bosta dos cavalos soltos ao redor, pacíficos e sem curiosidade alguma…todos ali prescindiam de nós, ficou bem claro.

No dia seguinte, as trilhas tão ansiosamente aguardadas. Itaimbezinho, majestoso cânion, ainda estava do mesmo jeito de quando eu era criança, força constrangedora e imutável, alheia às nossas bocas abertas de encantamento. Percorremos suas duas trilhas nas bordas. Faltaram as de baixo, com rios correndo entre pedras e dificuldades naturais da erosão. Que bom! Teremos que voltar. Trilha do Olho de Boi, sedutora, estou enamorada e voltarei para te assediar. O tempo ficou tímido e envolveu-nos em brumas traiçoeiras quando estávamos a caminho do Cânion Fortaleza. Atraiu-nos para sua malha, mas desembaraçados da sua sedução, retornamos, assustados com seu mal humor, mal enxergando o chão tortuoso à nossa frente. Voltaremos, seu casmurro!

10850221_900742899950618_6606392436607971_n (1)

 

10551473_903522436339331_7755901711924227910_o

10440261_900742836617291_4110435975190125355_n

 

1920056_903522749672633_4994035317572022333_n

10382981_903530349671873_2452011199043503330_n

10838167_903523786339196_6354955284146583366_o

1779127_903524003005841_4540809416814036909_n

10346188_900743093283932_4062803461216886908_n
Começada a fase da engorda, os tropeiros pançudos de comida pra lá de gostosa e exagerada, precisavam seguir viagem. E lá nos fomos para São Francisco de Paula ( Gramado e Canela nem pensar, lotados nesta época . E hotel com lugar para Ming Yu,hum, mais difícil ainda ), acomodar as carcaças redondas noutro chalé dentro de um parque com oito cachoeiras.

10648219_903524519672456_2789782281819775736_oOs olhos brilharam ao avistar as placas com as fotos e as suas alturas respectivas, bem como com seus níveis de dificuldade de acesso. Nada me deteria. Ou quase nada. Na chegada, ao descer do carro, meu marido, chefe da expedição, teve as costas travadas e já precisei ajudar para rolar as malas possantes camionete abaixo… e a sacola com pertences da Ming, bem como sua enorme cama macia e o kit com os pratos. Daí para a frente, precisei esquecê-lo no quarto do chalé, a mando dele próprio:” vai fazer a trilha”, dizia. Fui. Não antes de aplicar uma injeção no pobre homem. Chateada e um tanto culpada, obedeci. A primeira cachoeira ( Cachoeira do Remanso) era deliciosa. Aventurei-me na segunda trilha, mas desisti e apelei para o bom senso de esperar pela chegada do nosso filho com a namorada. A tropa cresceu. Meu bom marido, acamado, precisava de ajuda para arrastar-se de quatro até o banheiro, para vestir-se lentamente, para respirar. Alexandre, Annelise e eu seguimos sem ele para Canela e Gramado e aproveitamos um bocado. O auge foi ter nossos pés mergulhados, por um grande tempo, nas águas da cascata do caracol. Ficamos novos em folha, incrível! Foi difícil não ter notícias do nosso doentinho, por conta da quase nula conexão. Mas todos sobrevivemos.

10487418_10152413192117820_3550407306913228691_n

Amamos nosso dia, mesmo com alguma culpa. No retorno ao chalé, outra injeção e mais comprimidos. No dia seguinte, o boiadeiro-mor precisaria estar de pé e tocar o rebanho.

Deu certo. Com cautela e muito remédio, seguimos para nosso destino final: a praia do Cassino, na nossa cidade de Rio Grande, no incomparável país chamado Rio Grande do Sul.

TO BE CONTINUED

 

 

 

Anúncios