O passado voltou a bater na minha porta, com força de derrubada. Escancarou portas, janelas, fazendo correr ventos minuanos que revisitaram momentos importantes na minha vida. 

Não tenho dúvidas. Nada é por acaso. Trinta e oito anos depois de cursar o 1º Emaús de Rio Grande ( curso de valores humanos e cristãos ) fui convidada pelos presidentes do mesmo- Selma e Rubilar, uns queridos- a participar de um momento de resgate histórico. A memória deste meu tempo de compor músicas para o movimento deu uma rasteira bonita na minha emoção ligada à  vocação para o ministério através da música. Paradoxal! Nesta hora em que me foi retirado o instrumento da voz, soube precisar dele como nunca antes. Um desejo gigante aflorou contra todos os comodismos da minha timidez na hora da exposição. Só agora eu sei verdadeiramente que o dom emprestado por Deus poderia ter sido melhor utilizado. Os jovens que lá estavam no IX ENACE ( encontro nacional dos cantores de Emaús), em Caxias do Sul, sem saber, atiraram esta verdade na minha cara.  E foi doloroso não poder cantar com eles e para eles. Talvez os tenha frustrado. Mas Deus sabe bem como foi difícil oferecer este sacrifício em forma de aceitação. Deus sabe o que faz. Eu só posso seguir seus sinais para tentar errar menos e servir mais. Mas esta tardia consciência da utilidade dos meus dons de compor e cantar não muda a beleza da gratidão por tê-los podido desfrutar. 

O universo ontem presenteou-me muitas dezenas de pessoas carinhosas e acolhedoras, por meio de quem Deus mandou mais um recado.Estou confusa. Não sei se entendi.Se Ele quiser poderá me reabilitar, reparando meu nervo laríngeo afetado. Para Ele isto não é nada.  

Neste fim de semana-que privilégio!- eu entrei no túnel do tempo e saí com o olhar mais lúcido e o coração mais grato. 

O dom do canto, enquanto isto, está engavetado. A inspiração, não. Senhor, o que queres que eu faça?

 

 

 

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