Quero deixar claro aqui que este post foi escrito- e por mim mesma censurado- quando ainda morava em São Paulo, para preservar a pessoa em questão. O tempo passou. Hoje Leo não está mais aqui, a pessoa não faz parte do meu círculo e o assunto continua em voga, infelizmente.

 

Queria sentar aqui e conseguir abstrair meu pensamento  para longe dos males do cotidiano.

Será que  existe antídoto para a chatice?

Pessoalmente, acho que o chato não tem cura.

Hoje estou prisioneira em minha própria casa, com um tipo destes rondando meus domínios.

A invasora

Que triste escrever sobre isto!

Que falta de compaixão !

Confesso que estou em pânico, precisando, mas não querendo “sujar as mãos “ e acabar num golpe o meu tormento.

Não. Não cometerei nenhuma loucura, não cometerei assassinato ou  outra sandice do gênero.

Só queria ficar quieta, no meu canto, sem ser  espiada , sugada  e não sentir arrepios a cada  metida de mão na porta  ( agora trancada ) solapando  a paz do meu santuário.

Sim, concluo, existe gente chata  e invasiva. No meu caso, invasora.

Isto me leva a pensar que não basta ficarmos “na nossa”… é preciso que o outro também fique na sua.

Sinto-me mal, pois sei da carência galopante no mundo. Sei que devo ser culpada desta absurda aproximação, pois  estendi a mão  para a pessoa  e quis- inocente  ou arrogantemente -ajudá-la a arrumar o seu mundo.

Lobo e vovó

O problema é que ela não quer isto. Só quer ser a vítima da vez. Já escolheu. Apresentou-se com exagerada simpatia e acolhimento  ( devia ter desconfiado ) e praticamente  sentou à sala  na mesma semana.

Que pena! Tinha tanto a oferecer  a ela. Mas agora, como diz minha empregada: “peguei abuso!”.

Não preciso e não vou deixar meu castelo ser invadido outra vez.

Tranquei os portões, fechei as janelas, baixei as cortinas, dei ordem explícita aos súditos para mantê-la  a uma distância segura. Que maravilha o tempo dos castelos com pontes levadiças! 

Macaco 11MacacoMacaco 1

Sofro, porque não sou assim. Eu costumo saber lidar com gente normal.

A questão é: onde está a sanidade desta criatura?

Mais não posso dizer e não revelarei nem sob tortura.

Quero o bem de todos! Mas preciso manter meu latifúndio com terra boa e adubada  e com flores e pés de árvores escolhidos por mim. E renegarei quem ousar pisoteá-los.

A manhã bonita e a leveza na alma ( entreguei a revisão final do meu livro ) sofreram abalos.  Por isto escolhi exorcizar o mal nestas linhas agoniadas, onde  divido com meus leitores minhas mazelas, minhas delicadezas; aqui, nesta folha, eu posso tudo …posso até jogar no colo alheio minhas questões e meus abalos. Posso esconder no bolso de vocês a faca ensanguentada ou o frasco de veneno de rato.

Aqui eu sou livre. No branco da folha eu jogo o que eu quiser. Desentupo a alma e pinto o mundo da cor que me apeteça e necessite ( ai , como eu sou bandida! ).

O quarto de Leo está sendo pintado de amarelo, num pleonasmo  de alegria àquele que é o sol, mesmo entre nuvens  ou dias de trovoada.

Por ele preciso manter meu espírito livre, criativo e oxigenado.

Não me levem a mal..eu só precisava  desabafar…

Penico

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