felicidade 2Sabe aquelas frases bacanas que vêm prontas e te assolam num momento de inspiração? Pois é. Vieram várias no café da manhã hoje, quando estava com as mãos e boca ocupadas por um naco de pão. Foram todas passear no bosque no momento em que consegui sentar para escrever. O que faço daqui para a frente é apenas um exercício intelectual, desinspirado e puxado à ferro. Devia andar sempre com papel e lápis em punho ( coisa mais antiga, né? ). O celular não me satisfaz. Ao contrário, me bloqueia. Minha alma é antiga. E tenho saído sem ele quando passeio com minha cachorra. (Hoje levei a máquina de fotografia).Quero estar inteira com ela, com a natureza, com o que me cerca. Atenta. Sem distrações. Sempre volto satisfeita. Ou porque apreendi algo ou porque aprendi nada mais que a simples satisfação do “escutar” o  mundo.

Ainda no café lia o jornal ( juro,quase metade dele, entulho de propagandas ), o que sempre me acorda vários sentimentos espadachins. Um tentando matar ou ferir de morte o outro. É tanta novidade, absurdo, contradição, canalhice, barulho…E, ufa! algumas descobertas fascinantes que acendem luzes dentro de mim. Hoje, por exemplo, descobri que estou fazendo uma dieta paleolítica ( das cavernas  ) ou pelo menos tentando, com algumas interrupções satânicas. Explicando a dita: nesta dieta há uma redução tremenda de carboidratos e nada de produtos industrializados, laticínios e cereais( eu tomo vitamina e como queijo ); carnes vermelhas magras e brancas. Descobri que a mãe da Fiorella Matheis é mais bonita do que ela. Descobri que posso ser mais feliz. Está provado ( a gente achava que já sabia )que dinheiro não traz felicidade. Ao contrário. E que as pessoas mais felizes são aquelas que vivem rodeadas por parentes e amigos ou que vivem em comunidade.

A gente quer ser feliz a todo custo, atropelando a simplicidade da coisa toda. Acha que pode ser feliz na sua pequena ilha cheia de confortos e modernidades. E por que não somos? Porque temos dinheiro para gastar com terapia? Porque temos tempo disponível- e com muita sobra- ou porque ocupamos o mesmo com afazeres que não preenchem a alma? Está provado. Fazer o bem, sair de si em função do outro, doar-se efetiva e afetivamente completa aquelas nossas eternas e assombradas lacunas.

Quando falo em felicidade não me refiro àquela “felicidade de aparência”, onde eu me convenço ou tento convencer os outros de que sou feliz por conclusão (  porque podia ser pior ). Porque tenho um teto, carros, filhos saudáveis, dinheiro para viajar, comer fora vez por outra, para frequentar academia, cinema e teatro até, porque tenho um plano de saúde bom e um emprego que me permite sobreviver. Não, não tenho do que reclamar, então eu sou feliz. Falo daquela satisfação interna, aquele gozo de alma, aquela completude que nos confere paz. A felicidade maiúscula talvez devesse só chamar-se de PAZ.

Assisti a vários documentários que provam isto. Fiquei impressionada com o trabalho desenvolvido na Califórnia por uma Ong que resgata animais de rua, seleciona-os e disponibiliza-os às detentas de uma prisão local. Estas, por sua vez,treinam os cachorros para serem cães-guia de pessoas com algum tipo de deficiência. Chegam a ficar até oito meses treinando-os, trocando energia e amor com seus “afilhados” e os entregam à comunidade. Ganham todos. Os cães de rua, as presidiárias, que saem transformadas no processo e as pessoas com necessidades especiais, que também são “curadas” pelos animais, entre elas inúmeros veteranos da guerra do Iraque, jovens com sequelas físicas e também emocionais.

O mundo tem jeito. Há jeitos lindos e simples de se dar jeito no mundo. As pessoas têm jeito também. A felicidade é simples!

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Dica:A propósito deste último tema, vale uma espiada no filme Shelter Me, disponível no Netflix.

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