Mary Lu vai bem, obrigada. Como diz um amigo:uma ex-combatente, uma sobrevivente,uma canja quente. Duvido. Do jeito que a bichinha conquista espaço sem conquistar território, conquista-nos com uma estranha forma de paz quieta, sem impor-se ou pedir nada, vai ficando, sendo cuidada e mostrando um lado das aves que eu não conhecia. Só não irão taxar-me de louca os que, como eu, além de amarem os animais, acreditam neste algo mais que a ciência ainda não prova. Na capacidade muito peculiar de ser, expressar-se e de sentir das espécies. Estou abobalhada pela Mary. A casa toda está.

E eu que achava que ela não iria sobreviver, não consigo lembrar-não sem culpa-que cogitei deixá-la à própria sorte na semana passada.

Uma amiga diz que Mary Lu não é uma simples galinha, é uma entidade, minha galinha dos ovos de ouro. Piada à parte, sei que minha amiga, assim como eu, sabe que Mary veio resgatar fundilhos de bondade dentro de mim,suscitar uma nova visão do meu mundo ou do mundo sob a minha ótica pobre e limitada.

Mary Lu sabe a que veio. Por conta de tanto ensinamento ganhou hoje um tratamento de diva. Banho com sabonete especial e corte das penas imundas. Comportou-se como uma mocinha da roça que quer virar moça cuidada da cidade. Não piou, nem dificultou a tarefa a quatro mãos. Só tremeu que nem vara verde, a pobre. Acho que de frio também.

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Meu filho Alexandre participou com entusiasmo ajudando a analisar o estrago na pata e a pôr antibiótico no ferimento. Mary manca, um charme. Não apoia uma perninha ainda. Talvez nunca mais ande direito. Mas está integrando-se à casa perigosamente.

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