Na sexta-feira ainda, escrevia no escritório sobre a triste história da penosa encontrada na saída do meu condomínio, fugida da macumba da esquina e que estava sendo devorada viva por vermes e insetos, quando o telefone tocou ao meu lado.

-Denise, aqui é sua vizinha Lucélia ( a Santos). Estou apavorada porque encontrei com uma galinha quase sendo atropelada na estrada do Alto, aqui em frente e o porteiro me contou que você deu água e comida para ela.

– Oii!!! Sim, também levei antibiótico e unguento para afastar os bichos que a estavam  comendo viva. Um horror! Acho que ela não vai sobreviver, está muito apática.

– Nãoooo. Ela está vivinha da silva.Já estou atrasada para um compromisso e eu não dirijo. Estou pegando o ônibus.Tentei ligar para meu veterinário, mas ele não se encontra no Rio por causa do feriado. Vamos salvar a galinha? Vamos? Sua ajuda foi fundamental!

-Claro! Vamos sim. Vou tentar contatar  alguma clínica que possa recebê-la. Vá ao seu compromisso que na volta conversamos e discutimos o futuro da pobre. Fique tranquila.

E lá fui eu buscar a dita, muito aliviada, confesso, porque não estava feliz em tê-la deixado à própria sorte, mesmo medicada, mas ao Deus dará. Deus deu. A Lucélia como madrinha para Mary Lu, nome dado por meu filho Alexandre à nova hóspede da casa.

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Não achei veterinário especializado, mas aceitei o desafio, fazendo pernacchia para meus temores, e tornei-me enfermeira honorária da ave de despacho.

Mary Lu passa bem, recupera-se lindamente ( o que vou fazer com ela? )

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À noite Lucélia veio à minha casa, abraçou-me carinhosa e demoradamente, agradeceu-me e entrou para ver a resgatada. –Olha quem está de pé!!!!, disse eu. A safada bem frajola, nem parecia a mesma galinha carcomida pela má sorte. A dinda proferiu algum mantra budista impondo a mão sobre Mary e sentou-se ao meu lado e de meu marido, ao pé da escada de pedra de acesso à casa, para trocar ideias. Kadado brincou que no domingo de Páscoa faria galinha ao molho pardo e ela deu uma boa risada.  Ficou tempo suficiente para conquistar-me com sua meiguice firme de mulher corajosa que sabe o que quer e o que importa de fato na vida.Uma defensora. Defende a vida, mais que isto, a qualidade de vida, a preservação na sua concepção mais ampla. 

Pois é. Mary Lu já anda cocoricando faceira para mim. Aceita meus cuidados, agora já com alguma impaciência, na hora de trocar os jornais e colocar remédio. Está ficando abusada. Adora beber água quando faço carinho na sua cabeça. Alimenta-se com a ração para papagaio que eu e meu marido compramos para ela ( o que vou fazer com Mary? ). Minha empregada disse hoje que vai dar um banho nela. Essa eu quero ver!!!!

Lucélia tem ligado para saber da afilhada.

(there´s something about Mary)

Estou vendo a hora de chegar em casa e ter que disputar a cadeira em frente ao PC, ou ainda, lugar no sofá para assistir à Galinha Pintadinha. Toma tenência, Mary Lu!

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