marilyn-monroe-batom-vermelhoMandei fazer um bolo de aniversário para mim. Toco no rosto enquanto dirijo para buscá-lo. Minha pele está seca, descascando ( me avisaram que seria assim ). Continuo minha viagem. Tiraram-me a tireoide, o apêndice, o útero, a voz, o filho. Sobrou pouco de mim, a original? Mas não me deixo seduzir pelo lamento inevitável que quer vir, reclamando estas desculpas prováveis e fáceis, um jeito de fazer-me pensar que “sou menos”. Não estou reclamando. Os pensamentos correm mais do que eu. Houve ganhos no âmbito geral, penso.

Enquanto espero o bolo onde mandei escrever “poderosa” em vermelho, penso que estou numa fase vermelha. Sem querer. Paredes, um quadro do Leo, até comprei um batom. Ué,vermelho não é paixão?  Talvez uma cor de poder, descubro. De tesão pela vida que eu quero viver agora. Errando menos. Experimentando. Dizendo não. Dizendo sim.Desculpando, relevando, agradecendo, sendo.

Talvez eu consiga apenas ser menos rococó nesta minha fase vermelha com dourado.

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