cristochuva

Sexta-feira, amanhece chovendo no Rio. Delícia de friozinho. Mas é dia de retornar à São Paulo. O marido enrolado em uma reunião, sem saber se consegue ir no mesmo voo, diz para eu seguir sem ele. Desvencilha-se,no entanto, e segue de São Cristóvão, para o Santos Dumont. Eu, despenco-me do Recreio, do apartamento do filho, rezando para chegar a tempo, pois o trânsito-imagino- deve estar complicado…sexta e chuva são uma combinação mortal, principalmente nos últimos tempos na cidade maravilhosa. Mais caótico do que nunca, já temo chegar às portas do embarque. Tomara consiga. Meu marido chega antes, mesmo saindo bem depois. O motorista velhinho não agiliza meu percurso até o aeroporto, preso à cautela excessiva e a uma calma tibetana. Kadado me liga: só houve um voo pela manhã, o resto foi cancelado. Bagunça generalizada no saguão. Voos remarcados para o dia seguinte. E se o tempo não ajudar no sábado? é a dúvida. 

Espera-me na frente do aeroporto e embarca comigo de volta ao serviço. A caminho sugere o plano-reserva. Vamos de carro. Motivo da pressa ? Amor desmedido,alucinado…nossa cadela Ming Yu ficara sozinha. Depois das  16:45 hs , todo dia, desde quarta-feira. Soubemos da frente fria, que em São Paulo é mais carregada nas tintas. O gato Nelsinho é peludo, se safa bem. Ela, pelo curto, é mais judiada pelas intempéries, mesmo que durma dentro de casa…no sofá da sala! Recomendações à Socorro, nossa empregada: o marido, pelo telefone comanda, amolecido de saudade e dó, a colocação de mantas quentinhas para resguardá-la até nossa chegada. Esclarecimento: Ming não é uma simples cadela adotada há seis anos atrás quase morta, a quem oferecemos lar “temporário”. É uma filha muito amada ,que veio para preencher de alegria simples  a nossa vida. Kadado está há duas semanas sem vê-la, pois viajara  para fora, a negócios. Está seco de saudade. Quer dormir ainda na sexta junto da amada. A saída do Rio está pior, além do inimaginável…três horas depois de sair de São Cristóvão, ainda estamos na Baixada Fluminense. O amor, imagino eu, inspira paciência…e loucuras em seu nome. Na fome, me atraco num biscoito O Globo, do vendedor ambulante. Paraíso no céu da boca. Dane-se a dieta das proteínas. Só pensamos em chegar logo. Mc Donalds para esticar as pernas e tapear o buraco no estômago. Dane-se a dieta, 2.Há uma hora da chegada, o sono começa a conversar conosco. Senta-se junto no carro. Eu cabeceio, mas procuro cantar, bater palmas, abrir o vidro para arejar. O show tem que continuar. Sete horas depois, entramos exultantes e moribundos em Alphaville. À primeira girada de chave, um latido forte, a presença dela no vidro da janela da porta, chorinhos emocionados. O rabo-chicote balança tão forte, que quase a desequilibra. Não sabe o que fazer de tanta alegria inesperada. Acha meu marido, que , escondido, não cabe em si de emoção. Piegas? Exagero? Amor! Simplesmente, amor!

Dorme na cama conosco, encostada no meu marido, tapada com seu cobertor da Betty Boop. Nelsinho chega da rua miando muito, reclamando-nos a explicação do sumiço. Também dorme na cama conosco.

Isto,para nós, tem um nome …felicidade!

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Saiba mais:

http://noticias.portalbraganca.com.br/economia/nacional-chuva-fecha-aeroporto-santos-dumont-e-causa-transtornos-no-rio.php

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