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Quanta coisa bacana descobri este fim de semana só porque meu carro me deixou na mão Sei lá até quando. O outro, o do marido, já está no Rio onde ele mora. Pelo menos até nossas meia alianças brandirem SHAZAM outra vez e a mudança Sampa-Rio acontecer.Se eu não explico vai ter gente achando que é casamento “muderno” ou pior que isso, que demos um tempo ou um ponto final na relação.Tá tão na moda também.

Pois é.Com o carro no Spa dele, a gente é obrigado a engrenar no nosso. Bah. Coisa boa. Saudáveis caminhadas na marra.

Consegui lançar um novo olhar para minha saúde, minhas pernas e para o fato -obrigada Senhor- de eu poder CA MI NHAR. Que maravilha esta máquina de andar! Que mesmo cansada me levou faceira à missa na Gruta na companhia de meu marido e de minha adorável cadela.Sim, Ming Yu é católica e praticante ( dia desses, sem eu saber, dei água benta pra ela beber). Como nos sentimos felizes ! Que dia tão abençoado ! E hoje, domingo,passeamos no parque ( quem conhece o condomínio sabe que a pernada é boa ) e tiramos fotos como se fosse a primeira vez para todos. Que maravilha ter a oportunidade de rever nossa vida, de poder testar novos ângulos de câmera e, principalmente, de nosso olhar para a vida.

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Como valorizei  tudo que tenho! Temos muito mais do que usufruímos. Botei meus olhos nos olhos dos serviçais que nos cercam e que nos observam enquanto andam dentro do residencial, nos sonhos impossíveis que somos para tantos, nos desperdícios de terrenos, de bens, de energias. Botei meus olhos na esperança mirrada do funcionário que passa e vê a casa grande, e sonha enquanto mal consegue pagar o aluguel da sua própria e tão pequena  e sonha um sonho impossível enquanto observa os carrões nas garagens, as piscinas sem uso, os patrões que não lhe dirigem palavra, olhar. Quanta coisa me passou pela cabeça enquanto caminhava. Quanta coisa passará pela deles enquanto se encaminham até nossas casas diariamente. A caminhada pelo condomínio é íngreme, cansativa, um desafio. Como a vida. Da portaria até minha casa, quinze minutos de caminhada em bom passo. Com quantas frustrações chegarão, todo santo dia, aos nossos lares? Com quantos sonhos? Problemas?Conflitos gerados pela brutal desigualdade.

Terei um novo olhar para minha empregada segunda-feira quando ela chegar.

Na volta do passeio ao parquinho um banho gostoso de mangueira na Ming que está arfando do esforço físico. Tremendo para ela, cuja anatomia do focinho parece não ajudar, sem falar nas banhas que abundam sobrecarregando o belo corpanzil.

Agora, todos na cozinha. Marido pilota a picanha, faz farofa e eu , um humilde arroz biro-biro. Para compensar a trabalhosa dobradinha da véspera.

Preciso registrar agora o frescor das minhas novas descobertas. E brindar à vida, à família
e às minhas pernas.

Escrevo sob o efeito do vinho com uma cadela adormecida aos meus pés.Salut.

Daqui a pouco desmaiarei também.

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