táxiCenário 1: dentro do táxi , Rio  de Janeiro.

Mal sento, o motorista me alerta para o uso de filtro solar caso eu resolva ir à praia. Não adianta eu tentar explicar que morei doze anos na cidade maravilhosa, que estava a negócios e que só veria o mar pela janela do carro. Ele segue explicando o causo da dinamarquesa que fez uma corrida com ele. Dona, bem que eu preveni ela! Não deu outra. Isto foi na sexta. Na segunda ela entrou no táxi, cor-de-rosa!

Dou trela mesmo assim. Sou deste tipo. Morro de dó…e de curiosidade de conhecer as pessoas. Que arrependimento! Empolgado pelas minhas expressões de horror segue a desgraceira. Conta que conhece uns cinco colegas de profissão que estão com câncer de pele. Um deles está com meia cara e o braço do lado da janela totalmente envelhecidos. Não lembro como o assunto descambou pra maldade do confinamento animal. Acho que foi a minha cara de gaúcha, de ser suspeitíssima e muito provavelmente  fã de churrascaria. Nesse assunto dou ainda mais corda, porque também ando horrorizada com o que leio. Conta-me em detalhes o suplício dos bezerros e o filme sobre a espécie de frangos–monstros que consumimos hoje em dia, mostrado por um amigo médico sanitarista. Começo a ficar deprimida e já juro para mim mesma finalmente virar vegetariana. Falávamos do Paul McCartney quando, no momento exato em que pegava a lixa de unhas para enterrar nos pulsos, chegamos ao destino. Desci lívida, porém aliviada. Havia esquecido por minutos, compridos  que só, que estava com saudade do marido, entretida por meu sinistro e entusiástico host.

Cenário 2 : churrascaria, com marido e filhote.

Ainda traumatizada, encho o prato de salada. Resisto até a costela de ripa dançar can-can na minha frente.Preciso urgentemente rever meus valores!

vegetarianos

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