O padre está certo. Chega o tempo de finados. Parece que uma nuvem preta baixa sobre nós.Uma onda de tristeza paira sobre as cabeças e puxa o mal.A negatividade chama o mal. Coisas estranhas começam a proliferar nesta época em especial. Já repararam?

Deveríamos ,ao contrário, fazer como os mexicanos,que celebram a morte , cantando e comendo sobre os túmulos, honrando festivamente a memória dos seus mortos .

Saudade, a gente tem.É saudável, natural .

Vou rezar para meu anjo, conversar com ele, acender vela para ele…tudo isso que todo mundo faz. Mas resolvi, e a ideia linda foi o padre quem me deu,sem querer, no sermão hoje na missa. Vou fazer um culto à moda mexicana. Vou cozinhar um bolo cheiroso  ou ,talvez, mexer um doce de abóbora,um arroz doce pro meu guri. Eu sei que ele vai sorrir de satisfação lá em cima e vai ser mágico ligar céu e terra neste momento. Vou oferecer uma flor bonita também , alegre, colorida, pra me lembrar que a vida continua com todos os tons que ele sempre a coloriu pra mim. (Garanto que nem o padre imaginou que alguém iria levar a homilia ao pé da letra.E que ela iria render uma postagem.Obrigada Pe.Marcos.)

Aposto que vai ter uma legião de anjos sobrevoando minha casa no dia 2 de novembro.Gordinhos famintos  chefiados por um gorducho-mor com a chave da casa . Não farei sala para a tristeza, mas servirei chá , bolo e outros quitutes para quem  chegar . E vai ter flor,vai ter incenso queimando-que ele adorava! e  música pelos cômodos anunciando um ano e três meses  de saudades gordas.

*Acredite: o Dia dos Mortos é um dos feriados mais festivos do México. Celebrado da noite de 31 de outubro até 2 de novembro (Dia de Finados), o evento reúne famílias e amigos em torno de seus antepassados. Segundo a tradição popular, uma vez por ano os mortos ganham um alvará celestial para visitar os seus e são recebidos com o que mais gostavam em vida. No primeiro dia, também chamado de Dia dos Santos Inocentes, os visitantes são as crianças que já partiram. Depois, é a vez dos mortos adultos. As famílias montam altares para recordar seus entes queridos já falecidos. Fotos são cercadas com os itens mais apreciados pelo homenageado. Vale tudo para agradar sua alma: comidas e bebidas favoritas, cigarros, brinquedos, utensílios de uso diário…

Flores coloridas decoram e alegram o ambiente, em que não pode faltar a cempasúchitl, uma flor alaranjada clássica para a ocasião. Velas e incensos a postos, na noite de 31 de outubro as famílias fazem suas orações e convidam os mortos a juntar-se a elas. À mesa, um banquete os espera. E ninguém ousa saciar a fome antes dos convidados do além. Os vivos só se refestelam no almoço do dia seguinte, ao som das músicas favoritas de seus antepassados. A celebração também ganha as ruas. Fantasias, adereços, enfeites, ornamentos temáticos embelezam e colorem as cidades. Padarias servem pães e doces típicos da época. Pequenos crâneos de açúcar confitados fazem a alegria das crianças.

Vale também levar comidas e bebidas para os cemitérios. As pessoas se reúnem nos túmulos para cantar, tocar, beber e comer. Tudo feito com muito respeito, muita devoção e… muita alegria. As celebrações ocorrem em clima de paz e confraternização. Os mexicanos têm uma visão muito particular sobre a morte. Para eles, o pior que pode acontecer a alguém é cair no esquecimento. Por isso, celebram seus antepassados com festa e alegria: manter viva a memória deles é o modo mais adequado de honrá-los.

Essa tradição faz parte do sincretismo religioso que caracteriza a devoção do povo mexicano. As manifestações populares misturam elementos católicos a rituais ancestrais de culturas pré-colombianas, como a teotihuacana, a maia, a olmeca, a zapoteca, a tolteca, mixteca e a mexica (ou asteca). De modo simplificado, para essas culturas a morte significa antes a continuidade da vida. Faz parte do ciclo natural: viver, morrer, renascer. E, já que é assim, os mexicanos ficam à vontade para brincar com a morte. Um ditado popular ensina: “La muerte está tan segura de alcanzarte, que te da toda una vida de ventaja” (a morte tem tanta certeza de que vai te pegar, que te dá uma vida inteira de vantagem). Autêntica celebração da vida, o Dia dos Mortos no México foi reconhecido em 2003 pela Unesco como Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade.

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