Abri parcialmente os olhos e espiei as horas….sete horas,  que bom, preciso continuar esta meleca deste sonho e desvendar o endereço do casamento desta prima…que tormento!

O leitor amigo não está entendendo niente. Não é pra menos, Acordei encafifada, insatisfeita e já revelando o fim da história que não é feliz.

Nas minhas ondas noturnas, nos braços do velho Morfeu desembarquei em terras gaúchas solita no más, mala pequena, destas modernas de puxar, estilo aeromoça.  Engraçado que no sonho eu olhava pra ela enquanto a portava e no pouco peso depositava certa desconfiança de ter esquecido coisa de mais valia a ser reclamada posteriormente.Tiro dado, bugio deitado!

Parênteses…lembro da minha cara de satisfação, de estar carregando uma malinha tão enxuta, nos moldes apregoados pelo meu marido que sempre se gabara de conseguir compactar o necessário dentro de exíguas valises..sem dúvida, haveria de ter algo errado ali!

Estava, pelo que pude apurar, em Porto Alegre, no saguão confuso de um hotel, precisando fazer o check-in  a fim de aprontar-me para o casamento de uma prima que não conhecia, não sabia o nome nem dela nem do noivo,quando dei-me por conta de que havia esquecido não só o convite, como o celular e -o pior de tudo!- minha nécessaire com TODA  a maquiagem , escova, grampos, acessórios de cabelos que usaria no casamento. Por isto a mala estava tão murcha- desvendei num átimo! Mas como! Isto nunca me acontecera antes! Eu jamais viajara sem carregar sequer um batom na bolsa. O desespero me abateu, o pranto se armou na garganta e eu simplesmente não conseguia divisar o balcão do hotel, mas tão somente bancas oferecendo artigos os mais diversos.

Quando me aproximei de uma delas uma moça tri perua ofereceu-me um par de brincos de pérola com pedras lilás muito cafona. Dizia ser cortesia e pedia que eu tirasse da minha orelha o meu brinco para experimentar aquele.

Angustiada, eu comecei a verter minha angústia e a dizer que tinha que resolver um problema  mais sério e ela compadecida apenas deu-me o regalo que eu soquei na bolsa e segui desembestada procurando o balcão do check-in, pois precisava acessar o quarto e um telefone para falar com meu marido.

O pesadelo  dentro do sonho é que eu sabia que ele não poderia me ajudar, pois ele não tinha o convite e nem conhecia meus parentes. E eu não sabia o nome da igreja, o horário do casamento, não sabia nada!

Parênteses…E eu ainda ia ter que dar o gostinho do “ahã, viu no que dá viajar sem mim, sua banana?!Mal acostumada!” E- golpe fatal- “AINDA não aprendeu a  fazer mala??!!!”.

Abri os olhos pela segunda vez…oito horas. Resolvi continuar o sonho e desvendar o mistério.

Eu comecei a andar no imenso hotel e acabei indo parar no segundo andar onde havia uma descomunal cozinha  com galinhas dependuradas  em fios esticados, onde dezenas de orientais afiavam suas facas e aprontavam suas pontarias , enquanto outros  cuidavam da higiene do lugar.

Eu pedia ajuda para acessar o balcão do check-in, que eu sabia ser no primeiro andar, enquanto antipática e desesperadamente  reclamava do tamanho e da falta de sinalização e de praticidade do hotel, e eles, oh malditos olhos puxados!,eles só sinalizavam com a mão a direção a seguir  e riam- se discretamente de mim.

Não recordo ter conseguido chegar ao balcão, mas sim de vagar pelas ruas à cata de informação.

Lembro sim de ser acudida pela minha comadre, que muitas vezes me salva em momentos críticos. Ela não só apareceu no sonho, como ligou para a cabeleireira dela e me passou o celular .

Eu fiquei embanada falando com a dita, levei meia hora tentando explicar a estapafúrdia situação à profissional e, sem saber bem o que estava fazendo, apenas pela segurança que a comadre me passara, acabei marcando o horário das 15 hs para arrumar o cabelo e fazer o make-up, presumindo que o casório seria à tardinha, se lá conseguisse chegar. Perdida sim, sem maquiagem,JAMAIS!

Doideira total!

Angústia feminina total.

Só quem é mulher poderá identificar-se com este sonho.

Abri os olhos pela terceira vez…quase nove horas?!!!

Chega de sofrer… resolverei acordada!

Parafraseando Vinícius:

Mas não tem nada, não …tenho o meu batom.

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Presumindo o final…

Provavelmente a prima casou sem a minha presença  e eu devo ter circulado bonita, bem maquiada e penteada em algum canto de Porto Alegre.

E provavelmente meu marido jamais saberia que eu voltei pra casa sem ter ido ao casamento não fosse este post entregando tudo. O que vocês acham que aconteceu?

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