Sentei com “o corpo a assar”, e aqui imito uma engraçada amiga portuguesa, sem saber o que vou dissertar, apenas com uma irritação medonha provocada pelo excesso de calor destes últimos dias. Dois meses sem um pingo de água do céu! Estará São Pedro de férias em alguma estação termal, tão refestelado está  que nem lembra de deixar uma goteirinha de torneira a pingar?

Continuo sem saber sobre o que vou escrever…e os pobres dos leitores, pacientemente, vão lendo estas baboseiras enchedoras de linguiça até a escritora finalmente definir o curso da sua prosa. Posts são concebidos a partir de acontecimentos, insights que os motivem, certo? No domingo, ainda na cama,tive um impulso, na verdade, um bom motivo para sair de cama e estrangular, quer dizer, escrever o que vou contar a seguir.

Todos sabemos que a vida de casado é uma dádiva e não é um mar de rosas. Incoerência? Certamente! E quem acompanha as minhas postagens, por certo sabe que eu moro “com o inimigo”, incoerentemente e insensatamente  há 32 anos.Pois bem, é domingo, dia santo, dia do Senhor, em que  pessoas “normais” supostamente dormem até mais tarde porque no outro dia o batente, a rotina dos maçantes horários escravizantes as esperam, certo? Errado!

O meu marido levanta, pergunto a hora.Sete e quinze, responde.  Eu não acredito! No que ele abre a porta do banheiro sou fulminada pelo golpe do clarão cegante do sol gritando bom dia a todo pulmão,o miserável! Corro a cobrir a cara com o lençol, mas o sono leve já me avisa que vai ser difícil retomar o sonho bom interrompido.Procuro evitar  os sons abafados provenientes das brincadeiras do meu marido, em voz baixa, a estimular o gato Nelsinho com a ponta do cinto.Em vão , pois já estou desperta o suficiente para esganar os dois.Fecha a porta do banheiro.Abre a porta do closet. Fecha a porta do closet. Rec. Rec. Rec.Tudo direitinho para evitar a incidência da maldita linda luz do sol  sobre meu sombrio rosto sonolento.Entram o homem e o gato.Rec. Abre a porta . Saem o homem e o gato. Rec. Fecha a porta. Lá se vão os dois . Hora da comida do gato. Será que eu consigo retomar a dormição?

O barulho da ração caindo no pote lá longe é igual ao Rec da porta  ou pior. O rabo-chicote da Ming Yu  bate tão forte de alegria no sofá ao ver meu marido que faz Toc toc toc toc…. mas ela preguiçosa, não acompanha a dupla madrugadora dominical.Só levanta depois das 9, 10 horas. Eu rolo .

Cxhiiiiii sssshhhh chuáaaaaa agora , meu marido está lavando o pátio. Lindo não? Um homem prendado. Tirei na sorte grande.E dá-lhe barulho de rabanada de mangueira e jato d´água pra todo lado pra lavar o xixi e coco da adorada Ming Yu.

Parece que acabou a função. Eu rolo.

Plikti Plakti Plum…Som de metal ecoando por toda cozinha, é talher, panela numa sinfonia regida pelo maestro Meirelles que, à cata de ocupação, resolveu lavar a louça que estava na pia.

Estico-me por cima da cama ,indignada demais agora, e vejo que são apenas 8 horas da manhã de domingo!

Fico deitada vislumbrando o que será de mim daqui há pouco tempo quando meu marido não estiver mais na ativa e refletindo no quanto terei que me adaptar à minha nova realidade junto ao homem que amo e que escolhi para passar o resto da minha vida. Que vai ser um desafio, mas que vai ser divertido! E que,no mínimo,vai render um monte de postagens !!!!

18-9-2012

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