Sei que falo em nome de muitos que perderam seus entes queridos no dia 11 de setembro há onze anos atrás…a estes , uno minha dor e entrego a minha homenagem…

Há dias em que é leve…viver sem ele- não ousaria mentir. Há rasgos de espaço, no entanto, em que pareço andarilhar com uma lança trespassada no peito que a cada passo trepida. E retesa-me o corpo e se me espreme o coração,   tirando dele o suco de vida,um resto de dor. Um gemido constrangido e seco, tão sem forças  brota que já nem me serve para desafogar.

Como são belas e vãs as explicações filosóficas, as teorias sobre a não-morte ! Não.  Não me venham alegar que o tempo melhora,porque o quarto dele ainda assim permanecerá vazio ! Por mais que eu tenha o teu ombro,meu amigo, meu filho continuará existindo apenas na minha memória pálida . O tempo continuará teimando em  desfigurá-la. É só isso que ele sabe fazer.

Não.Há dias em que mensagens bonitas e entretenimentos não me bastam. Há vezes em que é demasiado duro manter-me acordada.Sem o toque,o cheiro, a risada. Sem poder mergulhar de novo no mistério oceânico daqueles olhos azuis. E é dolorido assim, porque há amor.

Tempo,queria cavalgar-te na contramão e viver com meu filho tudo de novo!

11-09-2012

“Dizem que o tempo ameniza
Isto é faltar com a verdade
Dor real se fortalece
Como os músculos, com a idade

É um teste no sofrimento
Mas não o debelaria
Se o tempo fosse remédio
Nenhum mal existiria ”

Emily Dickinson

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