Um verdadeiro hino…clique para ouvir esta música-poesia, que me traz de volta a paz, o silêncio e a beleza que aprendi a amar no Alaska.

                                              ALASKA

Entre totens e filtros dos sonhos, inukshuks e lendas

Com espíritos dançarinos da noite fria eu danço.

Sonho  o rosado balé do salmão dos ursos 

E o mergulho melancólico das geleiras azuis suicidas.

Quanta vida, quanta vida!

Do Caribu adivinho o salto, da raposa morta imagino o grito

Vidas apagadas, peles arrancadas,

Quanta morte, quanta morte!

Sorte minha  te conhecer ,Alaska

Enquanto vives, enquanto gemes, agonizas…

Suspiro a displicência das gordas bailarinas do mar

Alheias, majestosas, em brilhos prateados, baleias passam e vão.

Há inocência, há pureza,há uma solidão que grita em cada ser

Solidão e silêncio que comovem!

Sorte minha te conhecer,Alaska

Enquanto vives, enquanto gemes e agonizas.

( Denise Bondan    1-09-2012)

Voltei muito impressionada com as esculturas ( totens)do Alaska e das antigas civilizações da costa oeste do Canadá e com a quantidade de lendas neles encerradas.Chamou-me a atenção, em especial, esta que compartilho com vocês e  que explica o surgimento da luz no mundo. ( *  leia  mais abaixo um pouco sobre Totens)

O CORVO ROUBA O SOL ( Raven steals the Sun)

De acordo com uma história Haida, no início o mundo estava na escuridão total.

      O Corvo, que já existia desde o início dos tempos, estava cansado de tatear e esbarrar em coisas no escuro.

      Um dia o Corvo veio à casa de um homem velho que morava sozinho com sua filha. Através de sua astúcia, o corvo percebeu que o velho tinha um grande tesouro. Ele descobriu que o Sol estava contido em uma caixa minúscula escondida dentro de uma caixa grande que abrigava um grande número de outras caixas.

       Imediatamente o Corvo jurou a si mesmo roubar a luz do universo.

      Ele pensou e pensou, e finalmente, arquitetou um plano. Ele esperou até que a filha do velho fosse para o rio pegar água. Em seguida, o corvo transformou-se numa folhinha de cicuta e se jogou no rio, no momento em que a garota estava mergulhando a  cesta na água do rio.

      Como ela bebeu da cesta, ela engoliu a folhinha… que escorregou e deslizou para baixo indo parar em sua barriga quente, onde o Corvo transformou-se novamente, desta vez em um minúsculo ser humano. Depois de dormir e crescer lá por muito tempo, finalmente o Corvo surgiu para o mundo, mais uma vez, desta vez como uma criança humana.

      Mesmo que ele tivesse uma aparência um pouco estranha, o avô do pequeno Corvo o amava. Mas o velho o ameaçou de punição terrível se ele tocasse na caixa do tesouro precioso. No entanto, o Corvinho bolou um plano, implorou e implorou  para que o avô desse a ele a caixa grande para brincar.

Com o tempo o velho cedeu. Corvinho levou alguns dias, afinal, eram tantas caixas.Foi removendo uma a uma e pouco a pouco …quando faltavam apenas algumas poucas para serem abertas um estranho brilho começou a aparecer na sala. O pequeno então implorou ao avô para segurar o sol do mundo apenas por alguns instantes .O velho então levantou a tampa da última caixa revelando uma esfera quente e brilhante, que jogou ao neto.

      Quando a luz tocou nele a criança humana transformou-se em um gigantesco e sombrio pássaro preto, de asas abertas prontas para o voo, e bico aberto em antecipação. Quando a linda bola de luz chegou até ele, o Corvo capturou-a em seu bico!

      Movendo suas asas poderosas, ele se embrenhou por uma fresta no telhado da casa, e fugiu para a escuridão do mundo com seu tesouro roubado.

O Corvo rejubilou-se então com sua nova aquisição e não percebeu a águia que estava sobre ele. Em pânico ele derramou quase metade da luz que estava carregando.Ela caiu sobre solo rochoso e se partiu em pedaços.Estes ricochetearam e foram para o céu onde estão até hoje como a Lua e as Estrelas .

*Totens:

No passado, os totens serviam para homenagear pessoas, relembrar eventos, comemorar datas importantes, demarcar sepulturas, registrar um encontro com um “monstro”, ou simplesmente exercer papel decorativo. Foram descobertos pelos exploradores europeus no século 18 e não faziam o menor sentido para eles.

Isso porque as estruturas são cercadas de… mistério!!! Por trás de cada uma delas, há uma lenda ou história curiosa. Algumas fábulas falam até da transformação de um homem em animal, ou vice-versa. Atualmente, as esculturas são confeccionadas tanto por povos nativos da Província da Colúmbia Britânica, quanto por não nativos autorizados.
Como um quadro, os estudiosos de totens sabem dizer qual artista  o esculpiu e a qual clã ele pertence. Para detectar  a história desenvolvida ou o simbolismo escondido naquele tronco, é preciso examiná-lo em detalhe, olhando de baixo para cima, até o topo. Nem sempre dá para saber a mensagem oculta, a não ser que o escultor tenha contado ou deixado por escrito o verdadeiro significado de sua obra artística.

Em Vancouver, os totens mais visitados ficam no Stanley Park, o principal da cidade. O acervo do Museu de Antropologia (MOA), da Universidade da Colúmbia Britânica (UBC), também é ricamente ilustrado pelas legendárias peças, além de conter uma valiosa coleção de objetos dos primeiros nativos da região.

Praticamente um Totem moderno…

Aqui termino a série sobre o ALASKA , sob pena de botar a correr meus leitores. Fico apenas eu com a alma respingada do seu mar, com os cabelos ainda enredados do seu vento e da sua maresia, com a retina azulada da visão das suas geleiras .

 

Fico apenas eu aqui com a quietude na alma a lembrar o silêncio glorioso  e a paz macia e úmida da natureza daquele estado magnífico, torcendo para que meu filho possa um dia ter o mesmo privilégio que tive e para que o Alaska sobreviva apesar de nós!

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