O dia 2 de agosto aproxima-se.Vai completar um ano que vivo sem  a risada escancarada  do meu filho. Sem a canseira, sem as trocas de fraldas, com sono em dia, mas no cruzamento da estrada, a tabuleta  que sinaliza as direções a seguir  parece brincar de girar.

A casa está quieta, o quarto dele foi transformado em um quarto de vestir, remodelado  com “feminices”, um armário de aço escovado com portas de vidro cheio de acessórios bonitos e supérfluos me acena  e eu os visto automaticamente, enquanto sinto o cheiro dele ainda pairando ,sutilmente entranhado nos poros da parede do cômodo.

A vida ainda não voltou à graça. Os dedos,a escrita, me salvam esporadicamente. A vaidade não é pouca, mas é menor.

Aos poucos, creio, o mundo girará de maneira mais normal. O que é normal? Era normal antes ou eu era um tanto deslumbrada por não conhecer  mais de perto o sofrimento?

Na minha casa está faltando ele! Na minha vida está faltando a trabalheira que ele me dava! A cadeira dele agora é ocupada por Lord Nelsinho, o gato peludo. Parece que é sina da pobre atrair gorduchos para si. Que bom que não está vazia!

Dia 2 está chegando… e eu queria mais que uma missa para ele. Queria subir num monte e ficar com meu marido,meu outro filho,meus pais, talvez com gente amiga por perto. Ficar lá. Lembrar dele…quem sabe chorar, rir, lembrar, procurar alguma forma de conexão. Cantar, rezar ou apenas ficar olhando a natureza , tentando firmemente acreditar que um dia a gente vai se reencontrar…Talvez,como na música do Eric Clapton, imaginar  “ se ele saberá meu nome , se eu o encontrar lá no céu “ .

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