É com alegria infantil que por vezes sento-me à frente do computador  …este mundão de tela branca  à espera de qualquer coisa que eu queira escrever.

A liberdade dos meus versos esperando para deixar-se  escapar de dentro de mim,num doce translado , apenas uma mudança de lado, de dentro pra fora e a simplicidade e a possibilidade deste movimento geram uma felicidadezinha  de frio de estômago.

Ricardo Azevedo,li hoje, disse que um livro parece uma garrafa com uma mensagem dentro, boiando no mar.

O escritor- amei a comparação-  é alguém que coloca as suas palavras numa garrafa e a atira ao mar torcendo para que alguém em algum lugar a resgate e leia…  Essa imagem sempre me fascinou e alimentou  a vontade de continuar produzindo , compartindo  o que me passa dentro, esperando ecos em outras almas ou apenas  compartilhando versos e silêncios.

Por certo muitas garrafas se perderão ,outras  darão em  confins inimagináveis e serão achadas e suas mensagens lidas por  pessoas que jamais conhecerei.O mistério é encantador porque é misterioso.

Houve garrafas que se quebraram e a mensagem, molhada, não pôde ser lida ou só pôde ser decifrada parcialmente porque as letras estavam borradas…e o Anjo  Desgarrado continuou desgarrado no mar de garrafas.

No lixão em que se transformou nosso mar há garrafas demais boiando.

E o Anjo só irá ser lido por quem dele precise. Há uma hora para tudo na vida, porque todas as coisas estão escritas.

Os livros nos escolhem ;não somos nós que escolhemos os livros, ao contrário do que supomos.Eles vêm para nós na hora que estamos precisando.

Seguirei escrevendo com amor e colocando minhas garrafas no mar …Seguirei  acreditando que o movimento das ondas se encarregará de levar  meus versos  a  algum lugar onde serão necessários ou oportunos  e , talvez ,sem que pretenda, façam alguma diferença na vida de alguém.

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