Só sentei para escrever porque fiquei impactada com a frase do meu marido a tanger os meus ouvidos desde ontem até agora.

Sentados no carro,bem arrumados, cheirosos, bonitos rumávamos para o baita casamento a se realizar na incensada Igreja Nossa Senhora do Brasil, belíssima e de dificílima agenda , segundo correm as línguas , o sonho  de grande parte das noivas em vias de casório.

Foi então que meu kadado cortou o ar e meus pensamentos mais festivos com a associação dolorosa  e paradoxal da sua reflexão em voz alta e assim  disparou: Veja como é a vida…o pai do noivo há pouco dá-me uma coroa de flores ( referindo-se à morte do nosso filho Leo)  e eu dou  ao filho dele uma máquina de lavar  roupas …” E lá estávamos indo celebrar a união do filho  deste homem, festejar a sua dupla alegria na verdade, porque ainda  na festa fora dada a notícia que os noivos iriam ser pais  e nós, com o luto ainda encravado no peito, precisávamos continuar a comemorar a vida em todas as suas formas de beleza –e são tantas ! graças a Deus.

Fez-me refletir na efemeridade de tudo e no quanto a gente precisa tentar urgentemente ser feliz  agora. No quanto a gente tem que tentar  equilibrar-se em cada onda e no quanto a gente é pleno enquanto está de pé em cima dela  sentindo o vento e o sol na cara sem pensar no tombo que vai levar a seguir.

E que quando cairmos a gente sabe que- de novo -outra onda virá !

 24-3-2012

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