Ontem quando despertei  desejei ter prolongado um pouco mais o sonho.
Estava eu numa espécie de gruta de temperatura ideal .Eu usava um vestido bonito , leve, feito de algo assim como uma musseline de seda  ou um chiffon  cor de opala muito fluido , sentada com os joelhos  juntos, semiflexionados , a molhar os pés na água,  quando aproximou-se de mim um amigo de juventude de meu marido a perguntar por nosso filho Leonardo, que eu sabia estar presente pouco acima e atrás de nós,embora soubesse que ele já havia partido deste mundo há algum tempo. Respondi ao rapaz assim : se tu o estás vendo, não é a ele que vês…é a sua outra forma ,mas não te inquietes .

O amigo de meu marido ,que não soubera da morte de nosso filho, começou a chorar e ambos nos viramos para olhar Leonardo e a cena que vimos foi a coisa mais linda de que possa recordar.

Leonardo estava com mais ou menos dois aninhos de idade, gordo , rosado, dormindo, bem aconchegado a outras crianças maiores que deviam ter entre seis,sete, alguns dez anos de idade e dormiam abraçados com ele no alto da gruta , sem tomar conhecimento da nossa presença , como que vivendo a cena no canto de um quadro em outra dimensão paralela à nossa .Num dado momento saíram, levantaram voo, não sei dizer ao certo,e eu fiquei ao longe a observar  sua partida  sabendo que não poderia me aproximar de Leonardo  agora.Andava num pequeno e harmonioso bando,tão bem integrado já o caçulinha do grupo.

Ele ia para algum lugar onde eu não poderia acompanhá-lo. Estava sendo cuidado por estes seres especiais e estava formoso como nunca antes.Não lembro de ter sentido inveja daquelas crianças no sonho .

Mas lembro da imensa ternura, da paz enorme que me invadiu ao ter podido vislumbrar da janela do meu mundo um pedaço do mundo dele …e que me fez acordar de dentro da minha gruta interior, no meu quarto muito , muito feliz.

É mais ou menos assim que ele estava no sonho,como no dia do banho à fantasia na década de 80 ( mas sem a fantasia de Nero  ,o incendiário , quase pegando fogo ao desfilar no minibug do compadre Jayme no balneário do Cassino-RG ).

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