Preciso ter cuidado.

Estou entrando num círculo perigoso.

Não tenho muita vontade de levantar da cama. Fazer o dia andar. Aliás…o que há no meu dia agora para andar  ?

Os estímulos  andam atrás de mim , mas não me alcançam… Três ou quatros dias na semana consigo arrastar-me até a academia  , subir e caminhar na esteira sob a previsível e nauseante “música TUM TUM “ .

É inevitável chegar a sentir um certo preconceito pelos fortinhos e fortinhas desfilantes- que horror- me parece tudo tão sem sentido olhando por um certo prisma. Pelo menos , nesta semana, consegui um belo papo ; uma alma espanhola simpática que  me permitiu avançar os últimos trinta minutos finais sem esforço  e até com as serotoninas  em júbilo.Uma mulher normal, que conversava,escutava e respondia ,parecia interessada no meu assunto e inclusive mostrou uma grande indignação pelo fato de uma colega tê-la ignorado no vestiário dias depois  de terem levado animada prosa.

Mas voltando ao drama. Não posso desviar do meu propósito de desabafar aqui.

Estou com um pé…vá lá…uma unha do pé mindinho na depressão, eu acho.

Renatinha e Isabel acham que não.Que não tenho o perfil de mulher depressiva. Dizem por aí que mulheres em idade madura são propensas e  grandes vítimas da depressão. Vi titia Monique Evans na TV  chorando e alertando os filhos em casa sobre a possibilidade de suas mãezinhas  estarem sofrendo da doença e da importância e  real necessidade de que eles as  precisassem  levar a um  médico especialista. Quando dei por mim ,eu estava chorando com ela. Empatia ou identificação?

Preciso ter cuidado. Fazer coisas diferentes.

Pegar meus livros e ler na relva. Essa coisa de fazer tudo de carro mata a gente por dentro. Nos priva do contato com a natureza, com as pessoas. Está certo que a maioria delas não é assim tão interessante. Mas aí entra o olhar. O exercício do olhar generoso.

Acho que vou ter que ser mais criativa.Mais generosa também. Estou aceitando sugestão. Mas desconfio que  temos as respostas dentro da gente. Só somos grandes sabotadores.

Tem coisa nova acontecendo na minha vida.

Coisa que eu não escolhi pra mim , mas que terei que enfrentar.

Resultado: furúnculo novo. No queixo.

Aí  entra o exercício do olhar e da generosidade…inclusive com a gente mesmo .Do tentar olhar a novidade por outro ângulo pra ver se a coisa muda de figura.

E aí reside o milagre de ser gente e de querer renascer.

E de poder   ficar mais leve largando um pouco da carga aqui  – no colo de vocês…

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