Deu saudade. Abri a porta do quarto. O cheiro dele me enlaçou pela cintura e quis puxar-me para cima da colcha estampada de azul e lilás.Se desse mais um passo, desabaria o corpo e a alma em cima da cama e a “lavação” seria inevitável e dolorosa.

Não cedi ao abraço da saudade. Engoli em seco, fechei os olhos e recuei . Fechei a porta enquanto os versos caminhavam para  fora de mim e sentavam na tela em branco deste computador.Assim tem sido. Fácil e difícil. Doce e salgado.Dias produtivos e dias de vazio.Não tenho dúvidas…o cheiro é o que mais dói! O cheiro do filhote desmamado ainda ronda meu território.E não deixa a memória visual descansar.
Deu saudade. Fechei a porta dentro de mim. Do compartimento que fareja e reconhece o odor .Preciso manter a paz dentro dos meus ossos e sangue.Desligar os circuitos olfativos que me conectam à memória dramática . Manter  apenas  o abstrato do amor inodoro pairando à minha volta,pois isto é tudo o que consigo no momento.O cheiro, não consigo lidar com ele.

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