Nunca estive tão feia na minha vida!
E hoje amanheci mais horrorosa.  Não consigo levar adiante nenhuma dieta, pois o emocional está bagunçado. A psoríase manifestou-se depois de anos ausente ,mas , felizmente,já  foi debelada.Os caroços da tireoide brincam de importunar minha deglutição.Os furúnculos visitam meu corpo, um por vez, há três longas semanas.Este último, um verdadeiro Etna furioso, fez-me renguear  até ontem, sexto dia de sua erupção tenebrosa.O cabelo…ai, o cabelo…preciso desabafar. Às vésperas de um momento importante para mim ,  há  exatos 15 dias  do lançamento do meu livro na minha terra, minha cabeleireira consegue -sei lá como- encarnar Edward, Mãos de Tesoura  e numa sequência maligna de filme de horror,detonar  com  lâminas afiadas e precisão cirúrgica , a minha rastejante estima ,cortando num golpe assustadoramente inusitado, os fios pela metade .

Não bastasse o feito medonho e totalmente incompreensível, pois ela é uma profissional muito boa, deixa-me em cotocos manchados as laterais desta cabeça agora mais aturdida e ainda incrédula  pelo acontecido. Vou eu mesma tentar consertar o estrago da química maldita,sem muito o que fazer na área em que  cabelo já não há .Uns marinheiros loiros, queimados caíram mortos no convés  do banheiro ,outros, no mar da minha privada.

Em desespero ouso entulhar meus fiéis e pacientes leitores  com este lixo literário, num post confessional  e vazio de mensagem, rogando que este desabafo tão feminino  e , thank God ,  catártico possa aliviar-me a alma sentida.

Sei bem que logo os colos virão, as identificações das amigas  e que esta crônica será apenas o reflexo de mais uma daquelas fases  chatinhas e engraçadas e que cairá no esquecimento  assim que o primeiro abraço amigo me alcance  e diga “que nada, tu estás linda !”

O marido foi o primeiro. E completou dizendo que vai me dar o coração vermelho do Titanic ,o  luxurioso colar com pedra que vi ontem quando saía do cinema.

Uma guria mimada, vejam vocês.Uma  adolescente desconfortável que se rende e melhora ao primeiro sinal de amor.

Uma mãe ainda desbalanceada, à mercê das marolas  da saudade de um  tempo em que não sobrava tempo pra pensar em futilidade, tão às voltas andava com as trabalheiras do seu Leonardo. Uma mãe  que agora há pouco esqueceu do cabelo e das  perebas  ao reparar  na rosa amarela que se abriu pra ela e que,  provavelmente, faz parte da mensagem que o filho  dela lá de cima assoprou:  “Vê, mãe, como a vida é bela ? E pereba, mãe,pereba  até a bailarina tem”.  

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