Hoje dei-me conta :  NUNCA MAIS TEREI LEONARDO PARA ME PREOCUPAR , ME OCUPAR OS DIAS E AS NOITES…ME AMAR.

Uma idiotice, pensada e escrita. Observação tardia. Ficha atrasada na mesa.

Mas que soco de vazio na boca do estômago e da alma !

Que lança se me atravessou de ponta a ponta  !

Será a capoeira da saudade me passando a perna por cima? Tentando me derrubar ao chão?

Um balé maldito a pisotear  meus ossos?

Lia Spinoza  e travei.

Não sei ao certo o que me atingiu , que dardo foi lançado em minha consciência que deflagrou  a constatação da grandeza da minha perda recente.

Nas letras ,uma vez mais, a minha salvação .  Desembuchar metade do peso  das tripas atingidas, já na primeira golfada  lançada no papel.

A imundície da dor esparramada na tela do meu computador  a me aliviar e a me salvar de novo.

Aproxima-se a hora de semear algum canto do mundo com suas cinzas.

E a dúvida de como fazê-lo. Penso: se ao mar ,  perderei Leo mais uma vez ,totalmente …e para todo sempre.

A tentação é grande de plantar com seu adubo vital um bom pé de árvore , de vida, correndo o risco de inventar ali um pequeno santuário  de amor e saudade.

O coração preparando-se para o afastamento oficial , para o ato final do teatro da morte , chora pingado a mando da temerária separação derradeira.

-Que bobagem! Meu filho  não mora naquelas cinzas !

– Pois sim,…é dele que falam as partículas dentro daquela urna.

-Pois não, a geografia daquele corpo e daquela alma já passeia por outros mundos.

E a lança  me atravessará uma vez mais …de novo, e de novo e de novo .

E a dor dentro de mim acostumará com sua cama macia  e não se mexerá  tanto…quiçá, dormirá um sono longo e bom.

Leo durante a mudança para São Paulo e sua fiel escudeira Ming Yu

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