Parece que o tempo piora 

     E que a saudade só aumenta!

Leo foi , mas FICOU !

O cheiro dele paira no quarto, a visão da sua nuca grossa de cabelos alvos, a gargalhada sonora ainda zombam no silêncio ruidoso da casa.

Os tempos difíceis- engraçado-não me lambem mais a memória.

As pessoas têm sido atraídas ao meu livro como a um pote com mel.

O cara tinha carisma, havemos de convir.

Como escreveu minha mãe hoje, no MSN :    “ Este é o meu polaco. Continua arrasando .”

Parece que a saudade piora

      E que o tempo só aumenta!

Aumenta a proximidade da ausência  e a intensidade da dor a açoitar-me com risos loiros tardios e olhos azuis vivos .

A dor ri-se na ponta do chicote ,pois de plumas feito, não pode doer tanto.

A cócega da saudade ,o tempo  assanha.

A alegria do esquecer , a memória arranha.

Talvez Bartolomeu Campos de Queirós tenha matado a charada ao escrever:

(do livro “Vermelho Amargo “)

“ É preciso muito bem esquecer para experimentar a alegria de novamente lembrar-se.Tantos pedaços de nós dormem num canto da memória, que a memória chega a esquecer-se deles. E a palavra -basta uma só palavra -é flecha para sangrar o abstrato morto. Há ,contudo, dores que a palavra não esgota ao dizê-las.”         

Que saudade, Leonardo!

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