Leo anda muito agressivo ( e autoagressivo ).

Em busca do remedinho perfeito, lá vamos  meu marido e eu , à São Paulo, consultar  um  neurologista. Quem sabe alguma porta nova se abrirá? Uma fresta de janela…um furo qualquer entre lascas de madeira velha e ressecada.

Sempre a bendita e fogosa esperança nos enlaça e puxa .

Pontualidade britânica, pontos para o enigmático médico, nos despimos  dos problemas e  jogamos no colo do atordoado homem  a roupa enxovalhada por dúvidas e pedidos de ajuda.

Ele , numa humilde demonstração, nos devolve a roupa  sem lavagem e nos promete dar o endereço de outra lavanderia, mais especializada.

Quando  percebo que o médico não pode nos ajudar  saco meu batom da bolsa e capricho no desenho da boca  em coral .

De Niro ( o médico era a cara dele ! só que com peruca branca) me olha  por cima dos olhos por uma fração de segundos, surpreendido com a minha leveza ou “coquetice” .

Eu só queria que ele entendesse que eu  iria continuar lutando pelo meu filho…mesmo sem a ajuda dele.

Jogo o cachecol pra trás, estendo-lhe a mão  de esmalte cor de jabuticaba  e ,acompanhando meu elegante marido, rumamos porta afora de Hollywood .

Até hoje espero a indicação  prometida ,de um   neuro  mais “especializado”ou psiquiatra . De Niro deve andar ocupado nos sets de filmagem. Ou viajou   pra fora do país com o dinheiro da consulta .

Com a esperança pilchada de bombacha   e   espora ,seguimos na  estrada.

Na sexta  vamos a um psiquiatra recomendado pela escola do polaco.

Continuamos assim, em busca do Santo  Graal…  enquanto trotamos empertigados e orgulhosos      ( às vezes alquebrados e cheios de poeira)  pelas coxilhas do mundo , seguindo as pegadas do cavalo do Criador.

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