Hoje fiquei sabendo que a casa do lado esquerdo já teve 35 gatos e que eu tive sorte, segundo o caseiro do vizinho dos fundos, muita sorte de encontrar tão poucos  deles ao mudar para cá.

E eu que estava encantada! porque ao contar uns cinco ou seis pela janela, ao menos eu sabia que nesta rua não se matavam felinos com doses de odioso chumbinho. E deste modo, esperava eu, meus dois peludos estariam a salvo das maldades humanas.

Também fiquei conhecendo duas vizinhas, numa tacada quase única.

Nada como passear os cachorros para descobrir um monte de coisas !

Andar nos humaniza. Temos a chance de prestar atenção ao que nos cerca.

Temos tempo e  podemos exercer  nossa curiosidade; nossos olhos e todos os outros sentidos podem  farejar energias, esgravatar  cercanias, materializar o espiritual.

 A atmosfera é carregada de sinais. A energia está na água que corre da torneira onde meu gato Jah mata sua sede, está no musgo da pedra que verdeja a casa abandonada do condomínio, nos espinhos das minhas duas roseiras, no olhar de soslaio do vizinho da rua de baixo .

Descobri  que as casas que me cercam têm vida. Já estava ficando aflita. Era tudo muito discreto, camuflado. Até o último fim de semana.

A festa do vizinho dos fundos,que rolou até as seis da manhã  de sábado chegou a me empolgar …depois do som lounge, a energia fluiu do violão do rapaz, de cantoria desafinada de fim de noite e das palmas entusiasmadas de umas duas ou três fãs alegres  de cerveja.

As vozes animadas brotaram do churrasco de domingo da casa do lado direito. Alguém  bradando : “Sargento Rafael “, pelo menos umas dez vezes  ao longo da tarde  ,revelou que muita vida que estava escondida, veio à tona desta semana para cá. Que bom ! Gente normal. Gente que infringe -sem pudor  ou meia farra- a lei dos ouvidos alheios com sua alegria familiar.

Não só casarões sem alma, lindos projetos arquitetônicos com jardins bem planejados…não só carros bonitos  e funcionários em uniformes impecáveis.

Volatizar o material é preciso. Intuir que tudo tem valor espiritual e energético….e explorá-los.

Sinceramente, sentei aqui para espairecer minha melancolia, pois não sou de curtir fossas; para espantar a saudade do marido que  saiu hoje cedinho para pescar peixes maiores num rio do Pará e de onde só retorna na segunda, tarde da noite.

  Me sentiria  um bagre abandonado  pra morrer não fosse a chegada do meu filho Alexandre e sua namorada amanhã, para  me fazerem companhia no fim de semana, num  gentil  oferecimento  e patrocínio de meu penalizado marido, num esforço ( bem sucedido )  de aplacar sua consciência por  estar PROCURANDO NEMO  no rio Juruena .

Valeu, ó honorável Príncipe Carlos! Volte renovado do seu Spa de mosquitos assassinos, fedendo a peixe, mas com a alma perfumada de novidades. Tu mereces. E a gente adora te ver calminho, Seu Saraiva .

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Bem, acabei filosofando  numa confusa crônica sobre gatos, churrascos (não confundir com  churrascos de gato),pescaria, bens materiais,energia e volatilidade.

Enfim, o que seria desta pobre escritora não fossem os leitores do seu honesto, porém humilde bloguito,  verdadeiros  “escutadores” e  valiosos receptores dos “descarregos “ desta alma curiosa e povoada.

Obrigada a todos vocês por abrirem seus PCs e seus corações pacientes  para mim .

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