O  ESSENCIAL É INVISÍVEL  AOS  OLHOS  …

não sei porque me deu vontade de escrever esta frase , assim sem pensar.

Talvez porque eu esteja atravessando uma fase cheia de problemas muito palpáveis,  de ajustes  pós-mudança muito burocráticos , que requerem foco e  logística. Tudo muito concreto.  Não gosto desta parte da vida. Talvez por ser mais sonhadora, “voadora de alturas” , viajante contumaz da maionese  , romântica destrambelhada e aprendiz de quero-quero e bem-te-vi.  Ontem  adquiri um cd com inúmeros tipos de cantos de pássaros…claro que viajei  na música das suas goelas encantadas e por pouco não me perdi em Santana de Parnaíba, tão embevecida estava tentando decifrar  a letra das suas canções.

Recomeçar é preciso.  Navegar por um mundo novo , garimpar pessoas  diferentes, desbravar e marcar o caminho de volta  em terras desconhecidas.  Uma tarefa intrigante, às vezes penosa, mas sempre  saborosa, mesmo por entre lágrimas.

O sabor da minha própria lágrima sempre me assanhou sentimentos revigorantes  de enfrentamento  e ousadia .

Andei chorando, andei  dirigindo atrás de óculos escuros  e batom na boca  , limpando as águas  teimosas  da autopiedade  que tanto desprezo  .

Confesso que não fui forte.  Mas estou sendo agora ao escancarar minha fragilidade .

É. Nem tudo está sendo fácil  como me vangloriei que seria.

Muita coisa não foi do jeito que eu supunha ou pretendia. Taí a graça da vida!

A  bola de cristal estava embaçada na hora de ver que na terra  fria de São Paulo  eu conheceria lágrimas geladas  e desalento.  Cansaço de ter me esforçado tanto para  o CERTO  e , no entanto, o Certo é tão relativo quanto tudo na vida.

A beleza pode ser lida na rasura do roteiro , encontrada  no inesperado  infortúnio ou dissabor. Que bom que é assim !

Sofrer um pouco também é belo. Chorar vez por outra, um privilégio dos sensíveis .

Atualmente eu sinto a tristeza como um mal necessário para o júbilo. Me permito  chorar , ficar enlutada  por pensamentos tenebrosos.

Hoje o dia está magnífico e minha alma sorri de tanto calor dentro.  Resolvi problemas, passeei com as cachorras, observei  com luxúria no olhar as mexericas maduras debruçadas  na árvore da mãe da Aparecida Liberato, enquanto subia sedenta a ladeira de volta pra minha casa .  Brinquei com o jardineiro do condomínio, falei virtualmente com as amigas cariocas , cortei cachos compridos de um Leo contrariado e belisquento, catei pinhas do chão pensando no arranjo rústico do Natal que logo vem.

Posso farejar o bolo de laranja da Iara sendo assado  no agridoce sentimento de despedida que já nos emoldura. Ela volta para o Rio, eu fico aqui. Doze anos de casamento , de trocas, de companheirismo, de fidelidades . Nossos caminhos  se separam e procuraremos a felicidade cada uma a seu modo.

O cheiro do bolo é invisível aos olhos.

O  trinado dos pássaros, o gosto da lágrima, o sentimento bandeirante, desbravador, o aroma das pinhas, a separação iminente, o recomeço ….tudo invisível aos olhos .

Essencial é perceber a importância de todas as coisas e compartilhá-las com amor .


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