Verão. Estação de recolhimento para mim.

Altas temperaturas, cacholas fritando, filho especial  em férias. O que resta ?

Mãos à tinta! É chegada a temporada das cores. Nas telas de pano , na minha casa.

Uma mandala multicor de energia , o verão de tantas cabeças tolas.

Intelectualidade posta de lado, sensualidade  desembestada  para o  lado de fora, estrutura cognitiva na frigideira , peitos e pernas  na vitrine.

É hora de  desvirginar livros , corrompê-los com marcadores de texto famintos, rodar canções que lembram  o verão  alucinado  lá fora, lambuzar as carnes da boca  seca,com as frutas das saladas, aquietar a sensualidade que brota do bronzeado do corpo , não lhe prestando muita atenção.

É preciso espantar os maus pensamentos, as preguiças que o mormaço acorda, a languidez que  a pele  implora, ducha fria em cabeça quente.

As telas brancas anseiam motivos florais, coloridos étnicos, os pincéis sorvem líquidos e óleos ,

em  tons que  a criatividade exige , nas formas que  a suculência da estação  demanda.

Um apelo aos sentidos, uma sabedoria  não usá-los todos…

O perigo  vem pelo ar, vem da terra , do mar , do vento  insinuante  de dentro da gente.

O verão me perde,  me desconcentra , me avacalha o bom senso , na hora em que o tempo me é mais generoso em quantidade.

Por que nada é simplesmente fácil  ?

Melhor seria  não sentir  nada? Nem calor, nem dúvidas ?

Melhor  mudar-me para dentro das minhas telas na época quente do ano!

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