Hoje acordei nostálgica.

Senti vontade de homenagear alguém.

Minha mãe ou Amália Rodrigues, que é quase o mesmo.

Veio-me Clarice à cabeça. Não, ela merece um estudo mais elaborado . Com esmero.

Minha mãe eu sei de cor.

Pensei no pequeno grande Napoleone di Buonaparte, recém lembrado no blog de um jovem amigo.

Piaf , segundo o mesmo, daria uma bela matéria . Fernando conta com o meu “lirrismo “nestas horas, só pra soar como a língua presa de Lispector o faria.

Bela mulher. De ar misterioso. Vaidosa! Me identifico no ato. E no fato de sabê-la tão transparente. Às raias da frieza ,muitas vezes. Pronto. Vê-se logo . Clarice me escolheu.

Mas hoje eu dou as cartas,Lis, sinto muito. Mereces mais do que me animo a  registrar num dia de Finados como hoje.

Quero a escrita ligeira.

Brincadeira de brainstorming.

Desengatilho vários pensamentos e os ponho de lado, não de castigo , no molho  vinha d`alhos para pegarem sustância e crescerem em sabor à hora de serem servidos.

Jabor me roubou a cena e disparou um amor sensual pelo Rio na sua crônica nostálgica de hoje.

Fez-me visualizar as curvas redondas e macias desta cidade desenhada sobre corpo de mulher.

De política não me atreverei a desandar escrever, tampouco.

Ainda estou  muito machucada  e  a  desesperança lateja .Um grito bem represado tenta romper o dique de concreto e atravessar os oceanos como que a buscar ouvidos de pena e consolo e  colos de gente de pátria diferente.

Não. Essa malvada não vai me tomar mais tempo. Senta-te a um canto e espera!

Homenagem respeitosa aos mortos…isso sim. Afinal, hoje é dia certo!

Não tenho quase mortos a chorar , feliz constato.

Outras mortes sofri e delas não quero falar.

Prefiro falar do cheiro gostoso que vem da cozinha…prepara um bacalhau supimpa meu marido.

Escolho estar nostálgica neste dia cinza.

Com Amália ao fundo, um copo de vinho tinto na mão para agravar.

Escolho estar nostálgica neste dia cinza.

Reprogramar meu norte, quem sabe um pouco mais ao sul.

Lá pras bandas do Brasil quase Uruguai.

Misturar meu sangue brasileiro, suíço e português nas águas do Prata.

Sinto nostalgia, tenho saudade… mas  é das coisas que espero viver por  lá.

Assim é minha cabeça. Tenham paciência.

Essa crônica doida brotou sem pedir licença e não disse a que veio.

Simplesmente sentou à sala a escutar Amália!

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