Débora Duarte,dia desses, em entrevista à

Marília Gabriela disse : Atores são seres

atormentados…

por isso –  pensei eu –  cansa não

sermos verdadeiros. As personas dentro de

nós desfilam seus talentos , exercitando suas

performances , num esforço de parecerem

convincentes aos olhos dos outros…num

cansativo jogo de Irma Vapp,numa troca de

roupas e de personagens constante .

A grande sacada , penso então, é sermos

verdadeiros,

mantermos nossa essência sem abrir mão dos

nossos personagens salvadores, mas tendo o

bom senso e a inteligência de usá-los com

fluidez,com honestidade,com savoir-faire,

sem carregar nas tintas. Precisamos deles, não

há como negar.

A bonitinha, mas ordinária…a coitadinha, a

mártir virgem guerreira Joana dÁrc,

a despojada sabida, a maliciosa descolada, a

meiga consoladora, a divertida

descomplicada,

a vítima sofredora,

a  manipuladora infernal , a abusada ,

a ousada , a cara-de-pau ,

a menininha insegura e frágil, a vamp ,



a patética, a sensual poderosa,


a infantil enjoada,

a careta moralista,


a avançadinha sem desconfiômetro,


a retrógrada ,



a fofoqueira patife, a piranha divertida,

a gatinha mistério,

a curiosa incurável ,

a  desconfiada  com pouca estima própria,

a raivosa irracional,


a crédula bem intencionada …


são tantos os tipos e as situações que

nos espremem os comportamentos !

Bisnagas sob a pressão de dedos, é o

que somos às vezes.

Ora saímos retorcidos, desfigurados,

outras vezes alinhados e brilhantes.


E lá vamos vivendo…esta carreata de

arquétipos estupendos ou rasos,

enriquecedores ou patéticos, com a mesma

ferocidade…sem nenhum constrangimento .

Tenho uma amiga maravilhosa ,cujo blog

elucida com brilhantismo este assunto tão rico

, que é o da construção dos arquétipos e tudo

que o envolve. ( nossa marca existencial\ pessoal )

http://rzmarca.blogspot.com/

A ela me irmano e com ela me identifico pela  busca do auto-conhecimento, pelo estudo  dos  arquétipos e pelo   reconhecimento  do OUTRO como peça fundamental nesta intrincada peça teatral  que é a Vida.( através da observação do” incrível de cada um”, título de sua última postagem)

Este assunto me fascina e instiga a uma

reflexão interior. Uma busca aos meus tipos

prediletos.

Vários personagens se digladiam para ser a

bola da vez…num frenesi, num esbofetear-se

constante pra ganhar “no tapa” a chance de

atuar.

Atores são seres atormentados !!! Penso alto,

novamente.

Com os atores principais ainda dá pra encenar

divinamente, sem prejuízo do estilo de vida e

da performance cotidiana…

O problema é quando o bando de

“coadjuvantes” que mora dentro de mim,

resolve querer dar o ar da graça.

É muita gente , muito tipo sem talento, ou no

mínimo, de talento medíocre a tentar vaga

para atuar.

Aí entra a ATRIZ CENTRAL , a minha

verdadeira ESSÊNCIA a botar ordem na casa .

Ela vem com lucidez , com bom senso ,

disposta a acabar com a patifaria que tenta se

intalar no palco da minha vida… Expulsa os

tipos mesquinhos…a fofoqueira ,a sofredora ,

a manipuladora . Espanta a corja cheia de

preguiça, insegurança e desafeto.

Ser verdadeiro é bem difícil…. Porque a

verdade não exclui a existência pacífica de

tantos tipos …ao contrário, esta interação é

fundamental para nossa sobrevivência neste

mundo cheio de nuances e desafios.


Basta, para tanto, que saibamos dosar a

quantidade da erva na fórmula da poção  da vida …

para que o remédio não se torne ,por excesso ou

falta, o veneno capaz de acelerar a morte da

nossa fugaz passagem existencial.

Ps: Deixo hoje o armário aberto para ventilar …para tirar o mofo dos personagens do meu passado…ventilar a criança sem maldade ,a guria sonhadora à  puberdade e a mocinha cheia de planos da juventude.



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