Cyrano , grande espadachim e escritor …

Contam as compridas línguas que ele talvez

tenha duelado perto de mil vezes , em especial,

devido às brincadeiras que faziam do seu

grande nariz.

Por hoje , é tudo que precisamos saber…

Ontem, 16 de outubro ,(o marido viajando

e Alexandre na “noite carioca”), precisamente

às 2 badaladas da madruga , escuto um choro

forte de dor do enfant terrible da casa

…Leonardo, claro!

As cachorras saltam das suas camas e se

lançam assustadas em direção à porta recém-

aberta do meu quarto, latindo com desespero

e medo, investindo contra ela e recuando.

Abro-a e deparo com Leonardo ( quem mais

?!!!) sentado no chão frio, com o rosto , mãos

e colo cobertos de sangue.

O nariz- enorme de inchaço – jorra o líquido

quente, da cor de brasa recém atiçada.

Meu ” Tiranô ” de  Bergerac  caseiro , chora

de dor !…e olha que ele não chora à toa, a não

ser em casos de charminho e dengo, mas este

choro eu conheço e descarto logo.

Deve ter levantado no escuro em direção à

minha ALCOVA – como meu quarto era

chamado pela empregada nordestina que tive

ao morar em São Paulo-

(Pensou nela assim ???)

e, desequilibrado ao susto da investida

da cadelinha (aussi terrible ) Bia; deve ter

tentado dar meia volta e  então caído com as

fuças lindas…

com nariz e boca na quina do frigobar do

corredor, que serve os quartos.Presumo…pois

jamais saberei, uma vez que ele não fala.

O felpudo da toalha não dá vazão à

enormidade de sangue a brotar do meio do

nariz. Suspeito que, além do grande corte,

possa tê-lo quebrado .

Ele debate-se e luta contra minha tentativa de

estancar-lhe a bela mistura de plasma e

glóbulos e mete , vez por outra , os dedos e

examina-lhe a cor, inquisitivo e curioso.

O chão, o pijama azul, suas unhas, os batentes

da porta, minha camisola…tudo tingido de

vermelho como num ritual macabro .

Tempo depois, levanta-se , enquanto molho

uma vez mais a toalha na pia,e foge de mim

rumo à sua cama.

Acaba estancando o sangue por pressão

voluntária da sua cabeça contra o

travesseiro ( para esconder-se de mim).

Por sorte, naquele dia ,

cama de lençóis e fronha cor de

vinho !!! Assim, sem distinção do que era pano

e do que era sangue ,a cena não parece-me

tão medonha .

Deixo-o dormir sujo, para não provocar nova

hemorragia.

Imponho com grande fervor minhas mãos

sobre sua cabeça, contornando-a

mentalmente , enquanto, de olhos cerrados,

sinto o amor curando-lhe as feridas e

diminuindo o inchaço e acalmando a dor.

Dorme em seguida, meu anjo tingido de fogo.

Duas e vinte da manhã, hora do seu anjo

descer à terra pra vigiar-lhe o sono,

retiro-me…

e deito para dormir ,deixando o turno seguinte

para o anjo Lelahel …aquele que, mesmo fora

de serviço, impediu, tenho certeza, que o

estrago fosse maior .


Boa noite, meu  Tirranô  !!!

( foto no pós-banho…the day after)


O frigobar volta para o meu quarto , por precaução!

( foto 3 dias depois…um pequeno monstro  com hematomas esparramados e “beiçola ” um pouco maior  )

PROCURADO !!!

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