Hay dias que no se lo que me pasa…


A gente acorda com a “macaca” solta e

destrambelhada.


Tenho que aprender que , em dias assim, melhor deixá-la

trancada na jaulinha ,


comendo banana e catando piolho.



Pois é, pessoas são bichinhos complicados , que adoram se

lamentar e pedir colo , depois que já se desgastaram em discursos

vazios, totalmente desnecessários, em verdadeiras brigas de galos

ou  “egos de rinha”.


Recebi mais um daqueles e-mails alertando a população contra os

perigos daquela senhora do ”  partido da casa “ e sua ficha nada

limpa e– podem me xingar- caio na asneira de tentar prestar

algum esclarecimento cívico à minha empregada ,uma vez que

o povo não tem acesso à informação da  maquiavélica tentativa de

chacina  da nossa “democracia “, que paira no triste horizonte.




Já no início da conversa , arrependo-me de

a ter iniciado , mas- imbecilmente – continuo, indignada, tentando

com que as minhas palavras façam algum sentido,



que encontrem alguma brecha de entrada naquela caverna escura,

cheia de morcegos ou mais cegos ” ( more cegos ) .



Tudo bem.

Calma Denise !!!

Ainda dá tempo de tirar o time de campo.


Vai pra academia suar na esteira, se acabar no Bodybalance,


se esticar, contorcer, pingar de tanto exercício de isometria ,

força; vai fazer esta aula espetacular ,

onde todos os macacos ficam nos seus galhos ” ,

porque a cabeça, o corpo todo está  preenchido com o vazio da

Meditação…

não há espaço para pularem.


Mas não…a loira presunçosa, esperançosa de lançar alguma luz na

mente da pessoa de alma  simples, debate-se em argumentos que

não encontram resposta coerente…só muito pouca  receptividade

do outro lado…do lado  da criatura   que, provavelmente, já se

sente oprimida pelo Estado  e está desgostosa o suficiente, para

querer que o

Brasil  e seu povo SE EXPLODAM  ,


já que ela já não carrega mesmo, nenhuma esperança de

possibilidade de melhoria de vida, de status…e nem tem filhos pra

lhes querer poupar ou  lhes pensar um futuro.

Não posso culpá-la !

Mas também , não tenho culpa de ter “escolhido” o meu destino.

De ter escolhido o marido certo, e , por conseguinte, a vida que

tenho.


Fico penalizada e enfurecida na mesma proporção.


Sou salva por um telefonema.

Ufa!

Visto a malha, calço o tênis ( preciso comprar um mais decente)


pego o carro do marido , pois apesar da minha insistência(no dia

anterior)em trocá-los de posição,deixando o dele atrás… na POLE

POSITION … acabou indo trabalhar com o meu .


Minha empregada agora  aparece correndo para me entregar o

telefone com mais uma chamada de confirmação de horário

médico.

Atendo já dentro do carro, com a mão na

ignição, colocando o

blush e acionando o controle remoto.


Só mulheres conseguem fazer isto !

O que não chega a ser um elogio  !

Fazemos muita asneira por conta desta característica

…perturbadora para os homens.


Saio um tanto apressada .

Olho à frente e enxergo  Jiló, o passeador da cadelinha Chiara –

inimiga mortal da minha   Bia–  vindo em minha direção…

voltando do passeio matinal para a casa, que fica  logo após

a minha .

BIA


Numa fração de segundos resolvo desconfiar do fechamento do

portão eletrônico da garagem . Na outra fração de segundos temo

que- se ele tiver ficado aberto- Bia e Chiara irão lutar até uma

cair dura. ( Chiara é a poodle-toy do vizinho, que sofre do

coração…provavelmente será  ela então!)



Engato a ré num espasmo quase  involuntário e insano ,pra não

perder mais tempo , encontrando no meio deste percurso um

inocente e desavisado vizinho,cujo carro saía– feliz -da- vida –da

garagem, para o trabalho.


O som do sensor de ré do meu carro encontra rima no barulho da

buzinada frenética e acompanhamento musical do estrondo

metálico da lataria do Honda Civic Prata do meu vizinho

anestesista.


Desço cheia de culpa e vergonha, quase me ajoelhando aos pés do

homem , enquanto observo consternada a cara de bunda desolada

do pobre cidadão que,  de tão    P da vida,     nem me olha nos olhos.

Só  tem olhos incrédulos para o baita amassão na porta e parte da

traseira do seu veículo.

A esposa tenta fazer uma cara amistosa do tipo “ acontece , né ?”,

mas não é convincente a ponto de me acalmar a culpa…desferindo

a seguir o golpe mortal ao dizer…

”     nossa … e o carro acabou de sair da

oficina, né  AMOR  ?!!! ”.


Quase dou a chave do carro do meu marido pra ele e pergunto se

quer ajuda pra transferir a maleta médica pro meu automóvel,

enquanto penso em correr  pra minha casa e afanar  um bom vinho

da adega do maridão ,pra tentar reparar um pouco o dano…



Ofereço os préstimos da seguradora e nos despedimos

solenemente.

Ele sabe quem sou e onde moro. Pelo menos não fica inseguro.


No carro decido que SIM, agora, mais do que nunca preciso malhar

o corpo até sangrar e tirar a culpa de dentro de mim…enquanto

relembro os manjados ditados de “   a pressa é inimiga da

perfeição “,

sobre “tirar o pai da forca “, etc



Me transporto mentalmente para meu pelourinho particular,

onde me torturo sob as cordas , com pontas em ferro, no tronco,

ao sol de meio-  dia ,

e depois ponho salmoura nas costas. Martírio completo !!!


Santa malhação. Expurgo minhas penas e libero serotoninas.

No transport recebo o letreiro pronto na cabeça, com o título desta

postagem…Hoje acordei com retardo mental.. .

que acabo modificando para …” com a  macaca”.



Fico imaginando como relatar ao marido o mau uso que fiz do

carro dele.

E sua cara de mal !!!

Posso imaginar seu discurso…:

” não sei como é que uma pessoa pode dar ré

sem olhar pelo retrovisor !!!!

“ pra que tanta pressa ?!!! ”,

” que compromisso tão importante era pra sair

feito uma  louca “,

patati patatá…

A sombra turva minha mente, num drama mexicano dos bons,

onde a mocinha apanha do rústico companheiro ,



com direito a pedidos de clemência e gemidos altos de dor


e   olhos roxos


Volto dirigindo com cuidado redobrado quando soa o celular.

Kadado!

Atendo?

Não atendo e ligo depois ?

Conto e lhe estrago o dia? Ou estrago o dia no fim do dia ?!!!

Muitas dúvidas numa cabeça desacorçoada e totalmente culpada.

Resolvo atender.

Conto com a voz quase inaudível , de gueixa mesmo... e encontro

um homem sereno, compreensivo e prático!

“Deixa que eu ligo pra seguradora!!! “, me acalma.


Mas como ?

Só isso ?

Não sei se rio sozinha, se reflito pela milionésima vez no quão

sortuda eu fui por encontrar este homem …


Acabo simplesmente agradecendo a Deus por tê-lo na minha vida e

por ele ser assim,

do jeitinho

que ele é !


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