Dia desses , revendo , totalmente ao acaso ,pela quarta ou quinta

vez , o filme  …

Orgulho e Preconceito num canal à cabo, me veio

a vontade grande de escrever sobre JANE AUSTEN , a autora deste

clássico – lançar um olhar sobre a mulher JANE e seu tempo.


Um dos meus filmes prediletos, sem dúvida

alguma, da última década.


Lançado em 2005, conta com atuações maravilhosas de

Keira Knightley (Elizabeth ) e …

Matthew Macfadyen, ( Mr. Darcy)

bem como de monstros sagrados como Donald Sutherland ,

Brenda Blethyn  e  Judi Dench.

É num período de ebulição política na Europa que nasce Jane

Austen, em 1775 , em Hampshire, zona rural da Inglaterra, no

reinado de Jorge III.


Jane é a segunda filha e a penúltima dos oito filhos do reverendo

George Austen e sua esposa Cassandra Leigh Austen, pertencentes

a uma família tradicional e numerosa.



Jane recebe em casa(pasmem !) a maior parte de sua instrução.

Tem uma infância feliz em meio aos irmãos e a outros garotos ,

que se hospedam na casa e dos quais o reverendo George  é tutor.


 

 

Amantes do romance e da poesia , para se divertir as crianças escrevem e

inventam jogos e charadas , e mesmo sendo uma garotinha , Jane é

incentivada a escrever . ( palmas para o reverendo George!)


Desde cedo revela sua inclinação para as letras, ao escrever bilhetes para

parentes e amigos, em uma época em que escrever cartas é uma espécie

de modismo. ( eu teria adorado usufruir deste modismo !)



Notem a carta ” cruzada “, de Jane para sua irmã Cassandra. Para

economizar papel e reduzir as despesas postais. Um pedaço de

papel valia muito e tinha que ser poupado !


A leitura- pelas crianças – de livros da extensa biblioteca do

reverendo George ( em torno de 500 livros)fornece material para

que escrevam pequenas peças teatrais, que elas próprias

representam. ( que delícia !…já fiz isto em guria)






Todos da família do reverendo Austen eram ávidos leitores de

romances.


( casa  e  jardim de Jane em Chawton )

Em 1784, quando seus pais decidem enviar Cassandra- a inseparável irmã

mais velha, então com 10 anos-para uma escola em Oxford , Jane implora

para ser levada junto, no que é atendida. Elas ficam sob os cuidados de

uma preceptora.


Contudo, sem recursos para manter as meninas estudando fora , o pai as

traz de volta para casa  um ano depois.

Jane nunca mais  se separaria da família !



Em 1790, com catorze anos de idade ( uau ! ), Jane escreve seu

primeiro romance, Amor e Amizade.

( escrivaninha de Jane )

A vida de Jane Austen até então não é marcada por grandes

acontecimentos; nada ocorre que possa perturbar sua existência.

Contudo, apesar de tão pouca vivência, do restrito convívio social

e de morar sempre em pequenas cidades do interior da Inglaterra,

a escritora possui uma visão extraordinariamente cosmopolita.


( restos da Estufa da casa de Jane )

Transforma-se em uma notável cronista da

sociedade inglesa da época ,


que , ao contrário do que se poderia supor , não é uma sociedade

rural típica inglesa, estável, conservadora….


e sim, uma sociedade burguesa , um mundo fluido e arbitrário, em

que algumas famílias nadam em dinheiro novo  …


enquanto outras lutam para manter o pouco que possuem.


Com percepção aguda dos fatos e estilo pacífico, sereno e

equilibrado, Jane consegue construir  em seus romances


uma descrição minuciosa do ambiente a qual pertence com uma

ironia sutil.


Seus primeiros escritos contêm imagens anárquicas e de violência

em abundância ,


(Sense and Sensibility  making- off )


e por ser filha de um eclesiástico do século XVIII ,( não um reverendo qualquer…e sim , o George!) isso revela uma ousadia incomum.



(O romance Lady Susan, escrito na adolescência, em 1792, é inspirado em As Relações Perigosas, de Choderlos de Laclos, um livro que seria proibido para uma senhorita da pequena burguesia, educada nos rigores do puritanismo.)



É possível que os pais de Jane ( maravilhosos, por sinal! ) não lhe

censurem as leituras,pois seu trabalho literário também recebe

influência de Samuel Richardson  e  de Henry Fielding , cujos

livros  foram considerados escandalosos na época .



Agora a melhor parte…

A criação aristocrática também aflora na temática dos romances

de Jane Austen, sobretudo na caracterização de suas

personagens femininas ,

verdadeiras heroínas

burguesas, cuja preocupação máxima é

conseguir umBOM CASAMENTO.

Sem dúvida, a principal diferença entre Jane Austen e suas

heroínas sensuais é que , no caso destas,não só suas percepções

e critérios  são importantes, como também em geral têm a

 

oportunidade de escolher o PRÓPRIO

DESTINO !


Em sua juventude, Jane Austen adorava participar de encontros

sociais, como bailes e festas.

Eram os lugares perfeitos para conhecer pessoas do sexo oposto e

ter a chance de se apaixonar.


No entanto, sabe-se muito pouco sobre os amores de Jane. Tem-se

registro de que ela teria começado um romance com um rapaz que

conheceu em um baile, Thomas Lefroy.


 

A família de Lefroy desaprovava o romance do casal e fez o possível

para afastá-lo.


Lefroy foi enviado para a Irlanda e uma tia sua

apresentou um outro rapaz para Jane. No entanto, essa tentativa

de casar Jane com outro homem foi frustrada.



Sobre seu último encontro com Lefroy, Jane escreveu em uma

carta a sua irmã, Cassandra, as seguintes palavras:


“At length the day is come on which I am to flirt my last with Tom Lefroy, and when you receive this it will be over. My tears flow at the melancholy idea.”

( ué, aqui ela está canhota?rs)

A última chance no amor que a vida deu a Jane aconteceu em

1802, quando durante uma visita a uma família de amigos, Harris

Bigg-Wither propôs casamento a Jane.

Ainda que não o amasse, ela aceitou a proposta. No dia seguinte,

porém, ela voltou atrás  em sua decisão e retirou-se para sua

residência em Bath.


Em 1801, aos 26 anos, muda-se com os pais e Cassandra, para Bath.

Após a morte do irmão  George- deficiente mental ,do pai ( droga!

adorava o George! ) ,em 1805 e da cunhada, que deixa os  onze

filhos ( o quê???????) de seu irmão Edward, ela passa por um

PERÍODO DE DEPRESSÃO ( também escolheria  isso ao onze

monstrinhos! !)durante o qual escreve muito pouco.


Quarto de Jane Austen


Em 1807 Jane, Cassandra e a mãe mudam-se para Southampton.



Passam a morar com seu irmão Frank, um capitão naval e sua esposa.

Depois mudam para uma pequena, mas confortável casa cedida

pelo próspero irmão Edward,no sul  da Inglaterra.

Jane retoma a atividade literária e começa a preparar a versão

final de …

RAZÃO   E SENSIBILIDADE


e   ORGULHO E PRECONCEITO.  ( Pride and Prejudice )

Em 1811, então com 36 anos , publica RAZÃO E

SENSIBILIDADE…sob o pseudônimo de ” By a Lady”  , pelo qual

ganha a ” fortuna ” de 140 libras esterlinas… (é mole?)



e começa a escrever MANSFIELD PARK e  EMMA.


Começa a escrever outro romance ( Sanditon-1817), mas adoece,


vitimada, provavelmente , por uma Tuberculose e vê-se obrigada

a ir para Winchester para se tratar. ( que lástima)


Fica paralítica  e morre em 10 de julho , aos 41 anos de idade

( so young!!!)


Cassandra está a seu lado. Uma semana depois é sepultada na

catedral da cidade, sem a presença da irmã…uma vez que na época

mulheres não assistiam a funerais. ( tadinha da Cassandra !)

…a lápide de Jane Austen



Mãe e filha, lado a lado…( lápides da mãe e irmã de Jane )


No seu epitáfio, na Catedral de Winchester ( quem me acompanha

neste blog sabe do meu fascínio por um bom epitáfio !) se lê  :

( Winchester )

She opened her mouth with wisdom and

in her tongue  is the law of kindness .”



Tecla SAP:


Ela abriu sua boca com sabedoria e em sua

língua reside a lei da bondade . “



A linguagem pura e simples, o tom

humorístico, sarcástico, a agudeza de

espírito e os sempre atuais temas de

amor e casamento…

garantem a imortal popularidade de Jane

Austen, cujos romances são frequentemente

reproduzidos com sucesso nas telas de

cinema.


Ao longo dos séculos, biógrafos e críticos têm

se perguntado como a tímida e reservada filha

de um clérigo protestante do interior da

Inglaterra, viria a produzir livros tão

sofisticados…



como uma mulher , de temperamento doce,


morta aos 41 anos de idade, solteira e com

pouco convívio social ,


se converteria em

autora de romances tão irônicos e

profundamente modernos que não se

enquadram em nenhum dos padrões literários

de sua  época.




No tempo de Jane , a mulher é educada para ser esposa  e mãe , e a

servir o marido.


( pensou que a vida naquela época era só baile, audição de

piano,chá com bolo e passeio de carruagem? )



Era costume da época que as mulheres aprendessem com suas

famílias a  dançar,

desenhar, cantar, tocar instrumentos

musicais

e  falar outras  línguas , por exemplo.


Acreditava-se que tais características eram

atraentes para os homens e, portanto, quanto

mais prendada fosse a moça, mais fácil e

rapidamente ela conquistaria um marido.


 


Há muitas passagens na obra de Austen dedicadas aos

“ talentos”.

Porém,nenhuma das heroínas das obras de Jane está muito

interessada por eles. ( hehehe )

( um indício de rebeldia ?) ( ou apenas uma mulher visionária, a frente do seu tempo? )


” Acho incrível “, diz Bingley , “como todas as jovens têm tanta paciência para

cultivar todos esses talentos”.(…) ” Todas pintam, forram biombos e fazem bolsas. Não conheci uma que não saiba fazer tudo isso, e estou seguro de que jamais me falaram de uma jovem pela primeira vez sem referir-se a quão talentosa ela era”.(…)

 



“Uma mulher deve ter um amplo conhecimento de música,canto, desenho, dança e línguas modernas para merecer essa  palavra                ( talentosa) ; e, aparte de tudo isso, deve haver algo em seu  ar e em sua maneira de andar;



no tom de sua voz, em sua forma de relacionar-se com as pessoas, e em sua expressão , que, se não for assim, não merecerá completamente a palavra “- diz a heroína da história.



Jane Austen, Pride and Prejudice

Grande Jane!


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Ps:  Para os aficcionados da escritora , foi lançado em 2007 , THE

JANE AUSTEN BOOK CLUB….


um simpático filme independente americano sobre um grupo de

pessoas comuns em Los Angeles , que formam um clube , através

do qual se reunem para ler e discutir os livros da inglesa.