Não é de hoje que meu marido e eu curtimos esta, talvez, estranha experiência aos olhos de muitos. A de visitar cemitérios e   ler epitáfios em lápides .

Quanta história enterrada !

Tudo começou há uns anos atrás quando em Paris, visitávamos o famoso Cimetière du Père Lachaise .

Nos encantamos com a atmosfera do lugar e passamos quase um par de horas a ler inscrições em pedras e mármores frios.

Quanta beleza de formas!

Quanta arte!

Edith Piaf, Chopin ,Honoré de Balzac,
(reparem na dor em forma de escultura)

Oscar Wilde, Marcel Proust , Victor Hugo ,

Maria Callas, Marcel Camus,

Isadora Duncan, Jim Morrison, tantos ídolos ali jazem .

( Tenho certeza que apreciaram nossa visita.)

Que bagagem deixada para trás !

Em Tiradentes, sem programar, totalmente ao acaso, nos vemos em plena Matriz de Santo Antônio

onde –   grata surpresa –   um   “ campo santo “ nos salta às vistas, bem ao lado deste que é um dos mais belos templos barrocos de Minas.

Com respeito percorremos tumba a tumba.

Nos chama em especial a atenção estas que mostro aqui :

( nenê de 2 meses e depois, o pai )

e que retratam tão vivamente o momento de dor imensa dos familiares.

Não acho um passeio triste. Apenas realista . Nos faz pensar na efemeridade das nossas frágeis vidas. E nos dá ganas de aproveitar ao máximo cada minuto precioso.

Nas lousas tumulares há epitáfios bem humorados e até irônicos , como na de Tancredo , que  desejava-o assim:

“ Aqui jazz , muito a contragosto,Tancredo de Almeida Neves” .

A família – uma pena – sem concordar, modificou-o.

Nas lápides , uma forma de expressar a ironia …o humor ,fundamental até na hora de partir.

Arqueólogo- Enfim, fóssil !

Bêbado- Enfim, sóbrio

Espírita- Volto já !

Humorista- Isto não tem a menor graça.

Pessimista- Aposto que está o maior frio no inferno !

Viciado- Enfim, pó.

Funcionário Público- É no túmulo ao lado !

Judeu- O que vocês estão fazendo aqui? Quem está tomando conta da lojinha?

Ou então o humor baiano…

Brincadeiras à parte, saímos reconfortados por nos sabermos bem vivos e

com saúde para celebrar a vida e o amor de 34 anos…vivos  para aproveitar a bela e quase irreal Tiradentes , uma cidade esquecida no tempo.

Que suas almas descansem em paz!

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Em tempo :

Meu pai acaba de lembrar-me uma história da sua infância, quando , ainda no curso primário, um professor lhe dá a conhecer o seguinte epitáfio, inscrito numa grande lápide no cemitério de Rio Grande…e que , obviamente , meu pai não só nunca esqueceu como  o declamava em tom macambúzio  e teatral ,para melhores resultados :

” Oh mortal que vens passando

Pára e vem me ver …

Eu já fui o que tu és

E o que sou tu hás de ser ! ”

HUUUUUUUUUUUU  !!!!!


( agosto de 2010 )

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