Tiradentes continua  charmosa.
No ar, o cheiro  do torresmo, do tutu, da couve…
a arquitetura cheia de eiras e beiras é  um convite expresso de retorno ao  passado  do ouro, dos escravos,dos amplos vestidos  sendo arrastados nas pedras irregulares,
das inconfidências secretas nos becos , atrás  de muros  e  igrejas.
As charretes no entorno da praça central- o  Largo das Forras, o cheiro das fezes  e do suor dos  musculosos cavalos, continuam excitando meu imaginário e agora posso sentir a dor fisica e mental dos condenados a uma vida menor…
sentenciados a sobreviver  sob o  peso  da  sua dolorosa negritude.
Um misto de respeito  e saudosismo -de uma época que nao vivi -me invade e procuro ,com  este olhar ,através da profundidade do meu sentimento,reverenciar  um passado , oculto agora ,quiçás,em outra dimensão.
Saio, vez por outra , deste estado de torpor ,para  por em prática minha enorme capacidade de garimpar preciosidades e também quinquilharias maravilhosas. Do céu das compras ao vale da contemplacão  da histórica cidade, é um pulo !

Os estados de consciência se alternam,se digladiam , bem como as mulheres dentro de mim.  A  antropóloga repreende a consumidora,que ,por sua vez, dá de ombros  e até uma banana  às outras!
A historiadora, a filósofa, a cientista social, reclamam  espaco à incansável  e voraz  pesquisadora de campo , que ,embevecida com seus achados, relega a segundo plano  as dores nos pés , a fome e a lembrança de casa.

Uma festa para os sentidos!
Assim é Tiradentes.
Um achado… uma pérola encrustrada  na geografia mineira.
( 11-agosto- 2010 )
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