Amanhecemos revigorados.

Um frio danado de bom, nos banhamos.Brrrrrrrrrr !!! Ajudo meu marido a vestir-se e a colocar a tipoia no braço esquerdo . Após um rico café da manhã,  mineiríssimo,  dou bolo aos esfomeados micos que desfilam pela pousada  e, pé na tábua.

O artesanato mineiro é lindo , é colorido,uma festa para os olhos ! A emoção estética me invade a todo momento. Resolvemos visitar  cidades vizinhas à Tiradentes e conhecer outras expressões  da arte local.

Rumamos à Prados hoje… terra dos  artesãos em madeira. Artistas modestos e caipiras, que conseguem extrair dos veios das toscas  toras , a vida necessária para animar nossos sentidos –em especial-nossos olhos , com suas feras ,que parecem rugir,  tão perfeitas são!

O  talento  gigantesco, somado à total falta de estrutura, nos pega desprevenidos. Leões, leoas, jacarés, touros, de tamanhos variados, brotados do jacarandá, da maçaranduba, do angico.
Gamelas,espírito-santos,
sapos, elefantes, cavalos,
águias,tatus,patos,parecem querer ir para nossa casa…sair do meio daquele pó,daquele celeiro entupido,onde convivem confinados  e sem perspectiva.
Não resisto ao olhar maternal da leoa  que carrega o filhote à boca e convenço  -com  olhares pidões e exclamações de *ai meu Deus!*- meu marido a adquirí-la . Devido ao peso da peça maciça, saio trôpega ,mas feliz, em direção ao carro,agarrada à Nala e Simbah, a linda escultura de mãe e filho, que parecem aliviados  por irem viver comigo  no Rio, num clima de savana africana, tal qual estão acostumados e  merecem.
Saímos de lá encantados com a prosa da gente simples, que não tem sequer  uma vida à altura, quanto mais  a dimensão do  valor e da riqueza da sua arte.
Toda uma geração de escultores,  vivendo em simplicidade demasiada.Gente  lutadora , que persevera apesar  da precariedade  da estrutura local.
Uma aula de talento, de modéstia, de singeleza de coração e de vida.
Uma lição que nos perseguiu a memória ao longo do  dia de hoje e ,muito provavelmente,vai nos  acompanhar  por muito tempo ainda…e será ativada sempre que  precisarmos  resgatar dentro de nós ,a simplicidade do caboclo mineiro, com mãos de Gepetto.
Ps: Compadecida que fico com a situação precária das” mãos –lixa”  dos pobres e rudes artesãos,
divido com eles –enquanto observo o entalhe de uma juba leonina-uma receitinha caseira ,ensinada por minha mãe,de eficiente creme hidratante . Na  verdade ,um exfoliante –emoliente ,de composição  simples e barata.Uma espirrada de óleo vegetal ou azeite  e um bocadinho de açúcar branco,misturados e esfregados suavemente  na pele e  depois enxaguados, deixam uma textura incrivelmente aveludada nas mãos.
Minha palestra de dermatologia cosmiátrica termina com cinco pares de olhos  masculinos, admirados e atentos , entre eles meu marido, o dono do lugar, o filho, o irmão acidentado-  ainda de  muletas- e um funcionário.
E tudo de graça!!!
Ao sair de lá  ganhei amigos… e o mundo , mais metrossexuais.
Sinto muito mulheres !
( 13-agosto-2010, diga-se de passagem, uma bela sexta-feira 13, do mes de agosto !!! )
Anúncios