Hoje, 22 de julho, acordo e ainda meio sonada,dou de cara na cozinha com as duas empregadas falando baixo , com caras apavoradas , entre risos mal contidos e exclamações de incredulidade .

” Vem cá, D. Denise… a sra. nem imagina quem está aqui fora ! , diz Iara , teatralmente bem posicionada atrás da porta fechada , em posição de alerta e de expectativa , louca para abrir a cortina do teatro e ligar os canhões de luz sobre o achado lá fora na varanda.

Bem, são oito horas da manhã ! O que de tão especial ou assustador pode ter ocorrido nas nossas ausências na madrugada ?!!!

Abro a porta  e entre penalizada e cética, descubro que Pepe não é Pepe…é Pepa. E que ela deixou de presente na varanda, um filhotinho seu, bem depositado em cima do cooler do meu marido.

Fico emocionada e encafifada com o motivo pelo qual ela teria feito aquilo. Será que quis me apresentar seu rebento?

Será que o filhotinho está doente e incapacitado e ela já não pode fazer nada por ele e resolveu me pedir ajuda?

Será que, sob ameaça de algum outro animal, ela havia colocado o pequeno em lugar- tido por ela como seguro- até o perigo desaparecer?

São muitas as questões. Mas todas me mostram um respeito e uma confiança linda em nós, ocupantes desta casa abençoada, onde até os animais vivem em harmonia entre si e respeitam e aceitam os outros animais.

Me aproximo do gambazinho, sob gritos de protesto me exortando a ter cuidado com as garrinhas. Cato uma toalha de rosto e acaricio gentilmente o corpinho imóvel, esperando a reação do ser aparentemente tão  indefeso. Ele está alerta e mantém os olhos e a boca bem abertos, para se defender de mim. Emite sons que ele julga ameaçadores,  mas ante a minha recusa em ceder , ele acaba por acalmar-se um pouco.Envolvo-o na toalha e o ponho numa caixa de papelão, com um pouco de leite.

Ele faz do pano azul uma toca e passa assim o resto do dia , bem enfurnado lá dentro. À noite , preocupados com a sobrevivência do pequeno , pego um conta-gotas e tento alimentá-lo. Ele não consegue. Será que foi deixado para morrer?- me pergunto compadecida. Temo por sua vida tão tenra. Resolvo que à noite vou colocar a caixa no mesmo lugar. Quem sabe Pepa volte para resgatá-lo ?!!

Durmo mal. Penso em Pepinho e o que será dele. E se a mãe não o quiser?! O que faremos com ele ? Já conto com o espírito maternal  de Bia para adotá-lo, como fez antes com a gata Minhoca.

Resolvo que não vou abandoná-lo à própria sorte. Fico bolando nomes pra ele na madrugada.

Pela manhã, pulo da cama ansiosa e descubro- não sem uma certa tristeza – mas também , e principalmente, com alívio, que Pepinho foi levado pela amorosa mãe.

Maravilhoso e abençoado mundo animal !

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