Duas da matina.Minha Lhasa late desesperadamente na varanda.As outras cadelas, Bolinha Maria e Ming Yu, dormem a sono solto ao lado da minha cama. Estranho! Bia não costuma latir assim à noite. Resolvo averiguar,já que não consigo dormir. Deparo-me com a seguinte cena,ainda no escuro: Bia ensandecida atrás de alguma coisa que emite sons engraçados,porém assustadores. Acendo a luz e me abaixo para ver o que está debaixo da cadeira da varanda.Penso que seja o gatão malvado, da “turma do arrepio “, que, às vezes, ronda minha casa. Mas que nada!!! Quase tenho um treco ao dar de cara com um bichinho horroroso,mais parecendo uma  ratazana do banhado, que me encara com a boca escancarada e me intimida com sons ameaçadores. Só venho a dar conta da espécie correta da criatura ,segundos depois ao dar uma segunda espiadela,morta de medo dos meus pés descalços e temendo pela precariedade da minha arma : uma cadeira,que puxo à minha frente,como escudo inútil. Pela Virgem de Guadalupe! Um ouriçado gambá na cena do crime !!! Não aquele lindinho dos desenhos animados, que veste casaquinho preto com uma charmosa listrinha branca no dorso !  Só então , percebo o desespero do pobre e a absurda desvantagem da sua situação,afinal, somos duas- eu e a valente anã Bia- contra um animalzinho acuado que, provavelmente ,só veio atrás de algum resto de ração das cachorras.

À muito custo consigo içar ao colo minha Lhasa teimosa,que não escuta meus apelos para entrar  na casa e que continua acuando o irritadiço e bravo gambá. Ponho pra dentro meus  dois gatos,com medo do bicho atacá-los, fecho as comportas da casa e peço ao meu filho Alexandre-que aparece em meio ao alvoroço- que dê a volta e apague a luz,pro Sr. Fedido não se sentir tão intimidado e resolver voltar pra sua casinha.

Desconfio,no entanto, que ele está usando o Cafofo do Obama, como chamamos o lugar no telhado,onde Simbah,nosso gatinho de rua,viveu por muito tempo  até mudar-se definitivamente para dentro de nossa casa. Provavelmente,Mr. Gambazito ,parente distante do elegante Pepe Le Pew, é o novo inquilino da suíte com vista para o distante mar,que vislumbra-se, com boa vontade,da minha casa , em dias favoráveis.

Agora  a bicharada toda da casa está em polvorosa ,excitada a espreitar o anti-Pepe pela porta de vidro da sala. Fecho as cortinas para dar uma certa privacidade ao ilustre invasor. Contido o mini-zôo à custo, retornamos para nossas camas e deixamos que a noite encubra o tormento do nosso assustado e, quiçás agora, envergonhado visitante. ( continua no próximo capítulo !)

Anúncios