O frio nos convida ao aconchego, ao recolhimento, à poltrona com manta nas pernas , à troca de intimidades, ao papo cabeça, à filosofia de quintal.

Vítor Ramil nos fala acertadamente de uma estética do frio , que ele não normatiza , mas intui.

Como gaúcha, filha do frio , também estranho, como Ramil , o sentimento absurdo de euforia que brota nas pessoas que vivem em climas quentes.

O suor- tão celebrado por aqui- me causa aflição. Não raras vezes sinto-me suja, desconfortável dentro de um corpo grudento e mal apresentado.

Seguidamente sinto-me deslocada , enquanto sulista – do esteriótipo nacional da gente ensolarada , amante do calor , do povo obcecado  por praia e por corpo …enfim não sintonizo na rádio Samba-Suor e Cerveja.

Sou um engôdo da aclamada e difundida brasilidade. Nós, gaúchos ,nos  sentimos diferentes num país de quase iguais.

Sem termos a certeza da nossa identidade, seguimos com nossa personagem gaúcha , que -de certa forma- nos separa, nos protege de sermos iguais ao resto do Brasil….e legitima a crença de um orgulho recorrente e profundo de nossas raízes.

Estrangeiros dentro do mesmo país , os rio-grandenses do sul , amados, gozados, seguem procurando uma contínua auto-afirmação e definição.

Bravo Vítor Ramil!

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