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Debondan's Blog

E sigo na dança…com a poesia que tudo salva.

SEJA LÁ COMO SE CHAMA ISTO

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Está chegando. Dia 2 de agosto, cinco anos sem Leo. 

Minha tristeza envelhece, amarela. Ganha um tom sépia, bonito. Talvez nunca tenha sido tristeza. Apenas isto.

Dizem que o rosto da pessoa que parte desbota com o passar do tempo. Hoje nem com isso posso contar. Tenho tantos registros: fotos, vídeos. Eles avivam, acendem minha memória e com ela a minha saudade, sempre bem atrelada. É bom, e um tantinho ruim.

Minha melancolia envelhece. Anda na frente, mais rápido que eu. Olho suas costas e me alegro que caminhe com passos tão largos.

A dor da separação não se renovou no milagre de estar bem viva. Ela me encontra, me beija e parte. Pena que tem gente que gosta deste beijo e não a deixa ir embora.

A poesia, penso, pode ser  o verdadeiro dicionário das dores obscuras.

( ver tb: Dictionary of Obscure Sorrows– John Koenig )

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Azulescer

e Richard Edward or Emil Miller (American artist, 1875-1943) The Pool 1910

Ando vazia de palavras.

Deixa-me ver. Estou sentada na frente da tela enquanto o dia febril se veste de calor e de luz, que cansa a vista de tão fora de época. O verão adentra o outono sem vergonha ou desculpa. Eu encolho de tamanho, de repertório, de modo de sentir. Me preservo, me defendo como posso, mesmo sem saber como. Mas o caminho que o corpo encontra é este. Economizando pensares, palavras. Me encolho na cama, no ar condicionado buscando ser feto que congela o nascer. Que espera. Delibera. Azulesce. Brinca de morto no útero do tempo.

Ando vazia de palavras. Por isto sentei aqui. Para ver se ainda existo. Para ver se vaza alguma palavra com sentido e capaz de explicar este lago gelado de águas paradas em que ando mergulhada. Apesar de todo o calor. Apesar.

Ando vazia.

Azulescendo.

Uma Nova Dança

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Hoje uma amiga da academia do Rio me manda mensagem dizendo que está com saudade de mim na dança. Respondo que esta semana estou dançando a burocracia da morte. E que é uma coreografia dolorosa e inevitável. São tantos pormenores para quem fica! Miudezas que são grandiosos detalhes e que enriquecem os cartórios.

Minha mãe está ensaiando passos pequenos sozinha, depois de sessenta anos no salão de baile junto com meu pai. Mas esta é a beleza da vida, penso eu. A vida, teimosa, segue e nos arrasta com ela por bem ou por mal. Viver continuará sendo uma bela e saborosa batalha diária. Viver tem sabor à boa luta, mesmo que difícil.

Hoje acordei cedo. Acabou o sono. Levanto e reparo que tudo corre bem. Minha mãe -sem dar ciência- já dorme virada para o lado da cama onde dormia meu pai. Sorrio e pé por pé ponho a chaleira no fogo para fazer café.

Penso, enquanto visto a toalha na mesa: a morte é apenas um novo início. Uma nova dança.

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Você sabe quando está muito quente quando liga o chuveiro e começa a temperar a água abrindo o registro de água fria. Você abre, abre, abre, no grau máximo de contorcionismo do punho e, como continua “pelando”, você abre devagar a fria. Abre, abre, abre, vai até o estágio final de abertura e a danada ainda se mantém “no ponto pra mais”. Então você, pacientemente, repete a manobra agora com o registro da água quente. Fecha, fecha, fecha até o fim da linha, que é quando a temperatura da água no corpo está enfim agradável. Dedinho curtindo pra cima, mil vezes!!!

Percebe então que bastava ter aberto simples e unicamente a “fria”, que nesta época do ano aqui no Rio é “morna”.

Você sabe que está insuportavelmente quente quando ao desligar o chuveiro, ato contínuo, escancara as duas portas do box para deixar entrar um arzinho do banheiro. Mas logo o arzinho está assando você que nem picanha na grelha.

Você sabe que está nojentamente quente quando precisa arrancar rapidamente a toalha que envolve os seus cabelos, para aproveitamento máximo da sensação refrescante da água no seu corpo.

Você sabe que está irritantemente quente porque, num golpe de desespero você abre logo a porta do banheiro pois está suando que nem porco no rolete. E, no auge do desatino, você que já conhece os meandros nefastos do verão carioca- se atira no quarto gelado no máximo, o ar previamente ligado para este fim.

Você sabe que está fucking hot quando tem um estremecimento de horror e desprezo ao se imaginar dentro de uma calça jeans. E agoniza não sabendo o que vestir, já que para algumas idades está fora de questão um shortinho com top. Não impunemente, pelo menos.

Você sabe que está PQPmente quente porque prefere maquiar-se no escuro, à alternativa de suportar a torturante luz dicroica queimando seu cerebelo. E até admite o look despojado, o make up “beleza natural”, pois não suporta a ideia da base escorrendo, melando seu rosto.

Esta foi uma reflexão baseada em fatos reais beirando a desabafo, obviamente sugerida por uma experiência torturante e hilária, que eu simplesmente PRECISAVA compartilhar para ficar mais fresquinha.

 

Então é natal

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Martha Medeiros  começou e eu tomei gosto pela ideia. Enquanto aparava galhos e varria folhas no quintal me pus a pensar nos meus desejos para todas as pessoas. Afinal, fim de ano é sempre fim de uma rodada. Às vésperas de uma nova partida mesmo sem planejar nos pegamos planejando, ao menos, esboçando “planos-fetos”-mesmo em nível quase inconsciente- lançando tênues ondas de esperança, para que nadem peito, abrindo águas de frente rumo ao ano que virá.

Assim: Que uma nova ideia tome corpo ( e a alma toda se envolva), que a gente dê um novo olhar, uma nova chance a alguém, que a salada tenha o peso emocional de uma lasanha, que a coluna dê trégua, que a tatuagem não desbote, que a gratidão não saia apenas da nossa boca ou do plano virtual, que o livro que precisamos ler nos caia nas vistas, que só o bêbado potencialmente assassino seja parado na lei seca, que executemos ao menos uma receita inesquecível, que acordemos para fazer nada, um dia de ócio sem culpa, que recebamos uma carta, um bilhete salvador, que a cirurgia não seja necessária, que um abraço cure, que uma dor diminua com nossos joelhos dobrados no chão, que o sapato dos sonhos encontre nosso pé, lindo e mega confortável, que encontremos uma alma gêmea canina ou felina para adotar, que realizemos um dia de desvario numa pista de dança, que enlouqueçamos numa criancice absurda de boa, que um desejo bem íntimo encontre ressonância no universo, que não matemos outro rio, que a tira de borracha da sandália não arrebente no meio da rua, que o espelho reflita uma pessoa de bem consigo mesma e com seu peso ( o que é a mesma coisa ), que surja alguém capaz de nos fazer rever algum conceito, que a comida com cheiro e gosto de infância não tope com a culpa no caminho de ser devorada, que o carro não raspe a coluna, que não encontremos o menino do sinal, que permitamos uma teia de aranha no canto da casa e a lagartixa que mora atrás do quadro, que a compulsão por doces sossegue, que a rede social não roube mais que dez minutos do nosso dia, que a chance de ajudar alguém seja percebida e levada a cabo, que um sorvete aplaque nosso cotidiano monótono, que uma oração nos acalme, que a fé nos mantenha altivos e confiantes no day after

Que o menino Jesus sobreviva ao rio de lama…e nos lave a alma. 

 

 

 

 

Bolo, guaraná e xixi nas nuvens

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No dia de hoje-2 de agosto- há exatos quatro anos atrás, às 11:10 hs ( nasci no dia 11 do mês 10, ora vejam ), Leonardo disse adeus e voltou para a casa Dele, de onde havia saído como anjo e tomado forma como um de nós. Foi acolhido, renomeado e rotulado como humano sem, de fato, nunca tê-lo sido assim, só isto, desse jeito,tão simplesmente, para nós que o conhecemos.

Nosso semideus menino me caiu no ventre, escorregado do Grande Útero, mimo de outra dimensão, de outros pais. Que honra! Fecundar um anjinho.

Hoje minha gratidão se avoluma para alcançá-lo lá onde nos espia e de onde, creio piamente, nos polvilha bençãos sempre, o safado.

Nosso amor te alcance, meu filho! 

Obrigada.

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Trinta e dois

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Escrevia no face:
“Hoje levei a saudade para se flexibilizar na aula de alongamento, para comprar frutas e verduras no supermercado, para cansar na rua com a cachorra, para passear no shopping no meio da confusão. Táticas de guerra. É preciso distraí-la.
Leonardo continua vivendo em cada integrante da família e na lembrança mais bonita que cada um tem dele. Seriam 32 anos no dia de hoje. Mas a festa será apenas no nosso coração, que agradecido comemora silencioso e alegre. Viva Leo!”.
 
 
Toca o telefone. É Kadado.
 

A frase:” te imagino com teu chapeuzinho de aniversário”,  foi tudo o que ele conseguiu ler, durante a curta ligação telefônica, das linhas que havia escrito para o filho. A emoção chorava pela voz.

Navegando para o Alaska, lá vai meu marido, também ele, imagino, tentando distrair a saudade do polaco, mergulhando no trabalho.
Ligou para jogar um beijo e um desabafo.
 
Conectados, e  o mar entre nós. 
 
Que lindo!
Muita gratidão.
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Lançamento do Memórias da Mãe de Um Autista, no Rio

No dia 19 de maio foi a vez de lançar no Rio o “Memórias da Mãe de Um Autista”.

Num ambiente descontraído, mulheres divididas entre a literatura e a boa costura rs e muita informalidade, se encontraram para brindar o nascimento do meu segundo livro. Um verdadeiro bazar de alegrias e emoções. Obrigada à Lez a Lez e a toda sua atenciosa equipe! Adorei os mimos e o oferecimento da casa.

Aos amigos a minha gratidão pelo sucesso da noite!

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Lançamento do “Memórias da Mãe de Um Autista”, em Rio Grande

O lançamento nacional do livro Anjo Desgarrado-Memórias da Mãe de Um Autista foi realizado na minha terra natal, Rio Grande- RS, em 16 de abril de 2015.

Foi uma noite abençoada, de emoção e êxito, para dizer o mínimo. Reunir família, amigos de uma feita só, rever pessoas queridas, trocar histórias que o tempo não apagou, repartir a tua própria história, agora contada em mais um livro…não tem dinheiro que pague.

Seguem algumas fotos desta maravilhosa noitada.

Obrigada a todos os presentes e aos ausentes que foram super carinhosos e me prestigiaram de tantas outras maneiras. 

E um agradecimento super, mega especial ao querido, formidável Lu e à equipe da Escola de Belas Artes de Rio Grande, em grandíssima parte responsáveis pelo êxito do evento. A estes incansáveis, minha gratidão eterna. Lu, tu és the best!!!! Love U so much!

Ao meu pai e à minha mãe, aos meus sogros, à Marcinha, ao Lu, novamente rs responsáveis pela entrega dos convites…grata, grata, grata. Amo muito vocês!

E, finalmente, o meu agradecimento àquele que está sempre ao meu lado, me dando mais que o suporte…o amor que me joga para cima. Meu marido, tu és o vento debaixo das minhas asas.

Valeu muito, Rio Grande!!!!

(no fim do post o texto redigido e lido pelo amigo Lu)

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Sessão de autógrafos na Livraria Vanguarda, em 17 de abril de 2015

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O lindo texto que o amigo Lu me ofertou no lançamento.

BOA  NOITE

É COM MUITO ORGULHO E COM MUITO PRAZER QUE A ESCOLA DE BELAS ARTES RECEBE TODOS VOCÊS NESTA NOITE PARA O LANÇAMENTO DO “ANJO DESGARRADO – MEMÓRIAS DA MÃE DE UM AUTISTA”, DE DENISE BONDAN.

E É COM ESPECIAL CARINHO QUE RECEBEMOS A DENA, RIO GRANDINA QUERIDA POR TODOS, QUE ESCOLHEU RIO GRANDE E O BELAS ARTES PARA O LANÇAMENTO OFICIAL DO SEU SEGUNDO LIVRO.

 LIVRO QUE É VIDA. VIDA EM PALAVRAS. VIDA QUE ELA GENEROSAMENTE VEM HOJE DIVIDIR CONOSCO.

NÃO FAZ PARTE DO PROTOCOLO QUE EXISTAM FALAS EM LANÇAMENTO DE LIVROS. MAS O PROTOCOLO FOI FEITO PRA SER QUEBRADO. E NÓS NÃO CONSEGUIRÍAMOS FICAR EM SILÊNCIO NESSA NOITE.

SERIA MUITO EGOÍSMO NÃO DIZER NADA PRA QUEM VEM NOS ENTREGAR TANTO.

TIVE O PRIVILÉGIO DE LER “O ANJO DESGARRADO” ANTES DE SEU LANÇAMENTO. DE UM SÓ FOLEGO. SEM CONSEGUIR PARAR.

SENTEI INÚMERAS VEZES DIANTE DO COMPUTADOR PARA ENVIAR UMA MENSAGEM PRA DENA DIZENDO TUDO O QUE HAVIA ACHADO. ATÉ HOJE NÃO CONSEGUI.

TUDO QUE EU PENSAVA EM DIZER PARECIA PEQUENO DIANTE DO QUE ACABARA DE LER. O ANJO DESGARRADO TEM O SABOR DA LÁGRIMA QUE MOLHA O SORRISO. O TEXTO TRANSITA DA MAIS BELA METÁFORA À MAIS DOLORIDA E SIMPLES VERDADE DOS ACONTECIMENTOS.

COMO FALAR SOBRE ISSO? COMO TENTAR DIZER ALGO SEM PARECER ENTRAR NUMA INTIMIDADE QUE NÃO É NOSSA, SEM SER INVASIVO, SEM MEXER COM ESSES SENTIMENTOS E EMOÇÕES QUE SE REVELAM COM SIMPLICIDADE AOS NOSSOS OLHOS?

SENTIMENTOS E EMOÇÕES QUE NÃO TEM A PRETENSÃO DE APONTAR CAMINHOS, MAS APONTAM. QUE NÃO TEM A PRETENSÃO DE ENSINAR, MAS QUE ENSINAM.

E O QUE ELES NOS DIZEM É QUE PRECISAMOS, URGENTEMENTE, OLHAR A VIDA DE UMA NOVA MANEIRA.

PRECISAMOS URGENTEMENTE ENTENDER O QUE REALMENTE IMPORTA .

DIVIDIR ESSES SENTIMENTOS DESSA MANEIRA TÃO GENEROSA COMO A DENA FAZ NO ANJO DESGARRADO EXIGE MUITO DESPRENDIMENTO, MUITA CORAGEM E SÓ FAZ ISSO QUEM JÁ ENTENDEU O QUE REALMENTE IMPORTA.

( Luis Henrique Drevnovicz )

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