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Debondan's Blog

E sigo na dança…com a poesia que tudo salva.

a carta que morava no bolso

 

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Meu marido voltara da Alemanha e desfazia sua mala (sim, invejem-me, ele é destes), quando acercou-se de mim, com um sorriso diferente e um quê de comoção na voz.  Alguma alteração na sua fisionomia falava. E assim, levemente aturdido, revivendo a emoção ainda tão fresca, revelou para mim sua inesperada descoberta ao ter remexido nos bolsos do seu sobretudo. – “Olha o que estava aqui e eu nem lembrava. Achei durante a viagem”.  Passou-me, num pedaço de papel, uns rabiscos feitos num avesso de folha de emissão de passagem aérea. Esticou a mão justificando que aquilo era um ensaio de carta ao Leo. Inspirada por um transbordamento de amor, teria funcionado, imagino eu, como um “ladrão” de saudade excessiva no momento em que fora escrito.  A mensagem dizia assim: “Nossa Senhora, por alguma razão, muito distante da minha capacidade de entendimento, me emprestastes um anjo para cuidar. Tão anjo que jamais exerceu o direito da fala. Tenho a sensação de que foi muito mais um presente para a Dena do que para mim, mas o amei de tal forma que me permiti achar que também foi meu. Não importa, pois curti o presente do mesmo jeito. Não entendi sua vinda e muito menos seu regresso ao céu, mas quero…”.

E aí, provavelmente, algo o interrompera impedindo-o de continuar. E o esboço fora morar no bolso do casaco. Nem precisaria prosseguir com a carta. O “não dito” pode ser completado de tantas e tão ricas maneiras que só a imaginação do amor é capaz de sugerir e formatar.

Dia 2 de agosto vem a galope ceifando o mato do tempo, cravando os cascos vigorosamente no peito dos que ficaram. Seis anos ainda com cheiro de relva molhada da chuva de ontem. Mas o rosto sorridente de Leonardo teima em esconder-se na neblina do inverno para que não soframos tanto, como se fizessem sessenta anos que distamos dele.

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Sobre cheiros e saídas

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De uns tempos pra cá tenho me sentido incomodada, invadida por um cheiro esquisito no ar, no condomínio onde moro. É um elemento estranho. Percebo um componente químico em suas notas, corrosivo ao meu bem estar. Tenho deitado com um tiquinho de perfume sob as narinas para distraí-lo. Pensei: talvez seja o enxofre destilado pela politicalha da cidade. Mephisto à solta, como mencionado na coluna de Arnaldo Bloch no jornal de hoje. Ultimamente esta tem sido minha desculpa favorita para muitas das principais mazelas que me afligem. Culpar os mephistosinhos do Rio e o resto espalhado pelo país.

Só eu sinto o cheiro. Por mais que eu tente descrever, não consigo que os de casa percebam e entendam do que estou falando. Assim é também com o som emitido pelos miquinhos que vivem ao meu redor, quer dizer, na floresta da Tijuca. Meu marido não consegue captar. A emissão acontece numa frequência que Kadado não consegue alcançar. Toda a comunicação da alegre confraria passa frustrada por seus ouvidos.

Bem, também eu, desde ontem estou tentando e não consigo alcançar o planeta onde se meteu nossa pérola negra. Só queria poder beijar sua testa e dizer: obrigada, Luis, tua melodia te abra portas maiores que as que abristes na terra. Como disse Maria Bethânia em seu show na noite passada: “a estrela africana brilha no céu.” 

Hoje numa das colunas mais bonitas do jornal, alguém que escreve muito melhor do que eu, sintetizou o guerreiro. No brilhante artigo de Zélia Duncan ela o define: “bálsamo negro, lindo, ágil, profundo”. Eu acrescentaria “singular“.

Esqueci o caos, a má política, a desordem infligida aos nossos sentidos e saí no encalço do samba blue note de Luis, grata por sua passagem breve e intensa, mas com o coração uva-passa por sua saída da nossa órbita. Tudo leva a crer que perdemos também um grande ser humano. E digo isso baseada no depoimento de um motorista de Uber a mim, numa corrida no início do ano, que o conhecia bem e com quem conviveu por um bom tempo. Disse que Melodia era um homem simples e devotado à família. Era gente. Gênio e gente. Pessoa tamanho GG.

Falando em gratidão, hoje cedo abri os olhos, era ainda madrugada, vi o rosto descansado do meu marido afundado na nossa boa cama de lençóis cheirosos, senti o calor do corpo do gato Nelsinho aos nossos pés. Aguçando ligeiramente os sentidos preguiçosos escutei o ressonar alto da nossa cadela Ming Yu na sua cama ao lado dele, depois atravessei mentalmente o corredor até alcançar a presença de meu filho no quarto à frente. Imaginei-o dormindo com o gato Romeu, então sorri de contentamento e felicidade pela família que formamos. Fechei os olhos e voltei ao sono.

Taí. Este é o cheiro da satisfação plena. O perfume que dorme todo dia sob meu nariz. A frequência exata do som da vida que projetei pra mim. Fechei os olhos com a oração recém formulada no coração. O tipo de oração satisfeita que não precisou nascer da boca para existir. A melhor de todas. A que alcança e alegra -imagino eu- Aquele que tudo sabe, naquele lugar onde agora remexem as cadeiras e tamborilam os dedos Luis Melodia, Leonardo, meu pai Romildo e tantas outras boas criaturas.

oração ao filho desgarrado

 

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Meu filho, eu não sei se irei para o céu, mas eu queria tanto te reencontrar!

Assim que eu soltar os pés do planeta e pular no teleférico mundo acima, que tal a gente marcar encontro em frente ao portal dourado? Lá onde dá para escutar o som de trilhões de asas batendo e onde todos reivindicam o direito de entrar. Assim, Leozinho, mesmo que eu não consiga, teu abraço e teu sorriso angelicais, mesmo que breves, serão meu antídoto contra a saudade eterna que terei que suportar.

Estranha dualidade de sentimentos, a minha! Amo viver, mas carrego a pressa dos que amam. Esta escolha, felizmente, não está no menu terreno. E assim fico por aqui, rezo por ti, peço pra ti, enquanto espero, espero, espero.

Que meu amor te alcance onde estejas e te acarinhe os cachos.

E que tua iluminação me desça pelas mãos neste toque perfeito, amalgamando nossas almas para todo o sempre, de modo que não haja mais necessidade alguma de ter-te ou saber-te.

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Percepção

Leo e eu

Percebi que a dor transformou-se em poesia para doer menos…ou para explicá-la.

Percebi que o mundo tem dores e que todas são dolorosas pra quem sente.

Percebi que posso ser feliz com menos, bem menos…até menos um filho.

E que tenho ainda tanto e sempre terei…a agradecer.

 

Como uma deusa

O horóscopo avisava: “este é um dia em que sua sensibilidade aflora e faz com que você sinta tudo com mais intensidade, por isso procure manter uma postura positiva. É tempo de estar consciente do seu humor”.

Mas o que de fato aflorou foi o desespero. Estou há dois dias vagando como alma penada por lojas de vestidos de gala, de aluguel de roupas de festas e nada, absolutamente nada, ficou do tipo: ó, este vestido é simplesmente fantástico!

Alguns caíram como uma pedra, isso sim, num enrosco de mil forros, perdida na profusão de quilos de rendas e atolada em pedrarias. Fiquei entalada pelos braços, beliscada por zíperes e suando como uma picanha na brasa. As vendedoras, super solícitas e risonhas, me atiraram em cima uma dezena de opções, segundo elas, ideais para mim. O primeiro vestido me transportou para dentro do casamento da novela Caminho das Índias- hare baba! num modelo justo cheio de filó entremeado de ricos bordados de cima a baixo, num tom azul esverdeado, o autêntico mar do caribe plasmado no corpo da tiazona indiana. Olhei-me. Não era eu. Era a sogra do Raj.

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Claúdia Lisboa tentou me prevenir que hoje eu sentiria tudo com maior intensidade. Já no modo Desencanto, sugeri customizações. Quando vi que não faria a alegria de nenhuma das atendentes passei a entretê-las com um repertório fofo e engraçado. Seduzi uma a uma antes de dar o veredito negativo para a compra dos rocambolescos trajes das mil e uma noites. Eu precisaria escolher-cheguei à conclusão- entre parecer uma senhorinha casta ou uma piranha de alto escalão. Irmã cajazeira ou quenga do Bataclan.  

Juro que o tempo todo procurei manter a calma, o bom humor e encarei tudo com energia positiva. Para acalmar os nervos procurava dizer para mim mesma que ainda tinha um mês e pico para um dos casamentos e dois para o outro.

Não quero desesperar minha futura cunhada, mas não estou gostando nadica desta experiência de ser madrinha de casamento. Amo o preto, os tons escuros e eles não poderão me salvar nesta empreitada por causa das normas da “boa fada-madrinha que se preze”. Quem sabe até o início do próximo mês eu já tenha emagrecido uns quatro quilos e não dependa do horóscopo para me ensinar a ter postura positiva. Quiçá, a varinha de condão me ponha na frente daquele modelito elegante e sóbrio que me deixe ser eu mesma e não uma traveca mega produzida fim de carreira. E eu comece a amar esta experiência que, inshallah, terá um happy end

Partiu costureira!

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OLHOS DE ALÉM-MAR ou As Mulheres Fernandes

 

 

 

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Tá, foi cheia de vaidade (e desconforto) que cometi esta postagem.

Maquiando os olhos domingo de manhã fui traída por eles e egocentricamente abduzida por uma iluminação espontânea: “Minha família é de uma estirpe de mulheres de olhos brilhantes”. Da parte de mãe.

Há neles um viço, pode ser um transbordamento de energia vital, um magnetismo, sei lá, um borogodó qualquer ancestral capaz de seduzir pessoas desavisadas; de atraí-las e aprisioná-las temporariamente nas malhas da retina deste mulherio. De modo que há pouca chance da conversa não passar primeiramente pela vivacidade dos olhos das mulheres da família Fernandes, antes de prosseguir.

Pensei nos mares desbravados pelos navegadores lusitanos, na fagulha curiosa em busca de novidade de terras e nas mulheres fortes que eles amaram. E acreditei, de repente, nesta carga genética ¨trespassada¨ de mãe para filha através dos tempos. E na beleza que é ter este traço, esta força, esta sina.

Pauso esta escrita para voltar ao rímel que espera impaciente por minha mão. Feliz por esta descoberta tardia. E por redescobrir como é salutar embarcar, vez por outra, na nau desgovernada da imaginação. E -aleluia- ver pela primeira vez… nossos olhos de além-mar.

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Por que o ser humano tem dificuldade em  reconhecer seus pontos de força? Quanta ingratidão e falta de humildade! Afinal, ser humilde, me disse Frei Lino em Rio Grande, é ser verdadeiro.

Agradeço às amigas que tentaram me dizer tudo isto, de alguma maneira, ao longo dos anos. Nossa cegueira pode, com sorte, ter prazo de validade. E um dia a gente vê. E acaba sendo grato por isto. À Christina Lahmeyer, meu obrigada em especial!

OOOOOOOOOOMMMMMMMM   meodeus!

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Ando exercitando a paciência – conscientemente –  ao longo deste ano. Se percebo assim, logo subentendo que há esforço envolvido no ato.

Tenho direcionado a prática, este jogo da paciência, para as pessoas, o que concluí logo, é muito, muito mais difícil que exercê-la em relação ao andamento da vida em geral, às intercorrências cotidianas, ao inevitável burburinho vital. Há coisas que não podem ser evitadas. Pessoas podem (e devem ser evitadas quando possível). Aqui, justamente, escrevo sobre aquelas que precisamos manter no nosso mundo por algum motivo, mesmo que de modo temporário.

Requer uma dose brutal de aceitação dos outros como eles são. Para mim, confesso, tem dado certo associado à exercícios de respiração imediatamente antes de topar com o outro em questão. Rezo em voz alta, rogando a Deus a virtude da misericórdia, pois não tenho como precisar o que leva a pessoa a ser do jeito que é, só tenho uma vaga ideia das suas dificuldades e dores. Peço paciência e tento me pôr à disposição do Espírito Santo para que, de alguma forma, eu possa ser um instrumentozinho miserável e minimamente útil aqui na terra. (Neste exato momento estou sendo interrompida, pela terceira vez, pela empregada, para ver o ponto do lombo de porco no forno…respiração.Oooommmmm ). Requer senso de humor também.

Dia desses, no retorno da viagem que eu havia feito sozinha para o sul, meu marido contou-me, entre cético, indignado e divertido, que a empregada tirara ele de uma reunião no trabalho, para fazer-lhe a seguinte sugestão ao telefone: “Patrão, anota aí na lista de compras do mercado pra trazer moela, bucho e Omo, porque abri o último.”.

Noutra feita ela entrou no escritório, onde eu estava tentando ler um livro e tascou esta: – A senhora viu o filme Rubéola? – Não seria Malévola?, respondi prevendo um desfecho trágico para nossa conversa. – Não! Rubéola!!! Assim segui neste jogo de adivinhações até desvendar o verdadeiro nome do filme, que ela dizia ser lindo. – O Mistério da Libélula? arrisquei. Bingo. Era este mesmo. Respiração. Ooooommmmmmmm

Meu marido também precisa exercitar a paciência comigo. Ainda quando morava em São Paulo num fim de semana sugeri um restaurante para jantarmos e ele exaltado vociferou: Dena, isto é no Rio. Estamos em São Paulo, pô! ( fazia pouco mudáramos de lá ).Erro grau light, porque não vou entregar aqui as grandes ocasiões em que ele precisou recorrer à sua meditação para me aguentar.

Uma vez, recém operada do ombro direito, soou o apito na máquina do aeroporto, porque eu estava portando a inevitável tipoia-anão (é aquela em que a gente carrega um rolo debaixo da axila, do tamanho de um anão, para que o manguito rotator se restabeleça na posição correta). Ao recusar-me a retirá-la para passar, por motivos óbvios, tive que ser revistada, totalmente apalpada na cabide da vistoria. O quadro era tragicômico. Meu pai, tadinho, de cadeira de rodas, minha mãe de muletas porque havia colocado prótese no joelho recentemente e eu carregando o anão no sovaco para lá e pra cá. Notara na ocasião um olhar piedoso para nossa família acidentada, a julgar pelas aparências. Ou seria impressão minha?

Ando incomodada com a ignorância, com a política do país que não faz nada para dissipá-la. Por conta disto, preciso aguentar aqui em casa termos como: Misericordi!  Eu seio (sei )… Eu di (dei ) e outras pérolas da língua portuguesa. Eu sei, tô ficando velha. Mas isto não deveria me melhorar como pessoa? Afinal, tive que aprender com meus erros e que alimentar a humanidade que existe dentro de mim esse tempo todo. Praticar o amor fraterno não importa a quem. Ser gente que gosta de gente, apesar delas. 

Por isto insistirei nas minhas técnicas de respiração e de reza. Porque preciso delas para estabelecer uma conexão saudável com o belo da vida. Para não deixar-me carregar pela onda de intolerância e incompreensão tão em moda. Não quero ser mais uma na multidão a julgar e condenar os outros. Quero ser e fazer diferente. Porque creio, que só assim caminhará a humanidade para algum lugar que faça sentido. Que faça sentido, no final, ter passado por aqui.

Enquanto isso…Oooommmmmm.

 

Um pouco de magia

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Voltávamos de Porto Ferreira-SP, onde fui alegrar meus olhos e minhas mãos por entre as louças desta conhecida cidade da cerâmica ( eu só soube agora ). Curiosidade minha e muita disposição e oferecimento do marido, que adora criar oportunidades de manejar o carro. Casei com um caminhoneiro bom de roda, descobri há muito.

A viagem pela estrada transcorria tranquila, apesar de todos os “domingueiros” aparentemente terem colocado os carros na estrada com o satânico propósito de exercitar nossa paciência e atenção, o que servirá, no mínimo, para me relembrar no futuro que feriados, melhor passá-los em casa. A chance da gente não retornar é muito grande, sério!!! Só com reza, anjos da guarda bem despertos e sorte. Sempre rezamos de mãos dadas um pai-nosso e uma ave-maria quando começamos uma viagem.

A música distraía a impaciência do chegar logo em casa. A seleção eclética e randômica deslizava de um ouvido ao outro, ora nos convidando à acompanhamentos melodiosos, ora nos fazendo sacudir o esqueleto.

Na divisa entre Roseira e Nossa Senhora Aparecida aconteceu algo incrível. Tocava um hit qualquer do momento, não lembro qual, distraída que estava batucando as mãos no colo e na porta do carro, quando li em voz alta a placa que surgiu na estrada ( mania minha): “Aparecida!” Ato contínuo, começou a tocar no rádio a linda Ave Maria na voz do Andrea Bocelli, nos transportando imediatamente para um outro estado de alma. Kadado me olhou com olhos arregalados e disse: “olha isso, a música”. Olhamos para o lado esquerdo e lá estava a Basílica, gorda, dourada de sol, nos olhando. Certos de que não existe coincidência na vida e sim muita sincronicidade e alguns misterinhos extras, seguimos calados, muito tocados com o acontecido. E com a certeza de que um anjo viajava com a gente. Talvez ele tenha escolhido a música para nos lembrar da sua presença viva entre nós, tenha passado para nos envolver brevemente com o hálito fresco do seu amor ou apenas para nos avivar  a lembrança de que Nossa Senhora nos ama e nos guarda onde estivermos.

A música seguinte, com Diana Ross e Marvin Gaye insistia dizendo: Pare, olhe, escute seu coração, ouça o que ele está dizendo………………………………………………………………..Amor.

 

MINHA VIDA DE PÁSSARO

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Dei-me conta dia desses…

Que foi no meu plano de voo rasante que aconteceram minhas maiores conquistas. Foi quando voava baixo, abrindo as matas no bico, molhando os pés e as penas nos rios e nos mares, que construí minha pequena vida. Nas alturas eu planara vendo a paisagem, voyer da natureza. Encantara os olhos. Enchera os pulmões, retomando fôlego. Na vida ordinária, na trajetória comum do meu voo buscando o peixe do dia é que vivenciei a grandeza de ser apenas mais um ser aqui, eu e minha historinha, eu enfrentando intempéries, sobrevivendo, sobretudo vivendo a alegria e a dor de construir meu ninho na terra.

Passarinhar é bom.

É bom passar e ar.

Pedra-Garganta do Céu

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